Tem
coisas com as quais eu não consigo me conformar: Tirar o champignon do
strogonoff, substituir alcaparras por azeitonas verdes sem caroço, comer bife
bem-passado, então, eu me recuso solenemente a comentar (tchê!)... E ainda tem
aquela estória do patê na torrada. Só quem já se deliciou com um bom patê
francês saboreado preferencialmente na sua terra natal, com uma “champanhota”, de
leve, sabe que não se passa patê em torrada. Entope-se a torrada com patê da
mesma forma que se entope o ganso - ou o pato - com comida até que seu fígado
se transforme num verdadeiro “foie gras” o que faz com que seu sabor fique
inigualável, isto, sem contar, as pessoas que misturam guaraná ao uísque,
destruindo em um gesto de requinte de anos e anos de dedicação e paciência pelo
frei escocês conhecido apenas pelo nome de John. Tudo bem que a lei seca
americana obrigou os beberrões de plantão da década de 20 do século passado a
verdadeiras heresias alcóolicas, como também nos trouxeram o “hi-fi”, e por aí
vão se os absurdos etílicos. Para outro campo de análise, dia desses vi uma
Ferrari amarela aqui em São Paulo. Não que isto seja algo tão raro assim, mas
fiquei pensando comigo o que faz uma pessoa comprar um carro que acelera aos 100 km/h em 3 segundos, rompe a barreira dos 200
km/h em 7 segundos e atinge a velocidade máxima de 370 km/h, numa cidade, ou num estado, ou num país onde a
velocidade máxima permitida é igual ou inferior a 120km/h. Perto disso, cortar
o macarrão com faca é fichinha. (Que me perdoe a italianada de plantão.) Outra
coisa que me provoca uma mistura de náusea com repúdio mesmo é aquele purê de
batata dentro do hot dog. Só de imaginar um americano e um francês dividindo a
mesma receita, já é de arrepiar, compreende? Sinceramente quem inventou aquilo
tem o próprio purê de batata no lugar do cérebro. O pior é que o pessoal
acostuma a comer aquele negócio “meio E.T” e termina por achar que é gostoso.
Parece torcedor fanático para quem o time sempre joga bem e o juiz sempre é
ladrão. Ainda se fosse um combinado de Cointreau, vodca, suco de tangerina e soda limonada, ainda
desceria melhor. Ops! Acho que acabo de inventar um long drink, digno de um
barman profissional, graças à minha experiência em coquetelaria internacional!
2016
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