Nicole Andéol é uma psicóloga de 25 anos
que foi criada por sua mãe Anne e sua tia postiça Eléonore desde que seu pai
saiu de casa sem maiores explicações. Nicole sempre nutriu dois sentimentos
por seu pai. Um amor profundo, porém, recalcado e um ódio freado
por não conseguir perdoá-lo ao tê-las abandonado, ela e sua mãe. Com o tempo,
uma família sóbria e sólida formou-se entre as três mulheres, até a tarde
quando o telefonema de um hospital há duzentos e oitenta quilômetros da cidade
onde as três moram avisa que o Sr. Charles Renée Andéol, pai de Nicole, está em
seus últimos momentos de vida e que ele pedira para ver a filha. Um desconforto
paira entre Anne e Eléonore e um inconformismo invade Nicole, já que ela nunca
admitiu seu pai ter sumido de casa sem nenhuma justificativa aparente. Após
decidirem sobre o último pedido de Renée, a mãe de Nicole decide contar-lhe seu
maior segredo: Com um casamento tido como perfeito Renée descobre por acaso que
sua esposa possui um “affair” com Eléonore, sua amiga desde a école primaire. Renée fica completamente
perdido, porém, como homem de extremo poder de compreensão, julga que o amor
entre as duas deve ser preservado e também percebe que ele tem o dever de fazer
sua esposa feliz e que duas mulheres podem perfeitamente cuidar da sua filha,
ou seja, Renée tem uma atitude de incomensurável amor em relação a Anne que
sempre teve Renée como o melhor ser humano que ela já conhecera. Durante a
viagem ao hospital Anne revela toda a verdade à filha que em estado de quase
choque, muda completamente seu pensamento em relação ao pai compreendendo enfim
a grandeza do ato que ele cometera, oferecendo para sua mãe e tia postiça a liberdade
de elas amarem o amor que durante tantos anos permaneceu sufocado. Chegando ao
hospital recebem a notícia de que Renée acabara de falecer.
A viagem de volta foi
silenciosíssima, parecendo que cada uma fazia seu mea-culpa no mesmo tempo que
não conseguiam entreolhar-se.
* * *
Em abril de dois mil e quatro, o
advogado Emmanuel Ludot é procurado por Nicole Renée que se interessou por seus
artigos escritos em diversas revistas onde defende fervorosamente o direito de
pessoas do mesmo sexo poderem se casar. Ela lhe conta a estória de sua mãe e
apesar de ela mesma já estar casada com o também advogado Jean Lambert, e ter
um casal de filhos, relata que quer atuar nesta causa em defesa de sua mãe e de
sua companheira. Começa então a participar de manifestações de rua, distribuir
panfletos, acompanhar todas as notícias do Conselho de Estado Frances e
pressionar senadores liderando vários grupos que crescem e se multiplicam a
cada dia por toda a França.
« Aimons-nous, Pas tuer notre amour, Liberté d'aimer « são
frases que começam a serem lidas e ouvidas com cada vez mais frequencia e em
mais lugares e cantos da França.
Em dezessete de maio de dois mil e treze
é finamente promulgada a lei que torna legítimo o casamento entre pessoas do
mesmo sexo na França. Isto faz com que Nicolle Renée finalmente consiga perdoar
seu pai.
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