domingo, 18 de setembro de 2016

Sinopse


        Nicole Andéol é uma psicóloga de 25 anos que foi criada por sua mãe Anne e sua tia postiça Eléonore desde que seu pai saiu de casa sem maiores explicações. Nicole sempre nutriu dois sentimentos por seu pai. Um amor profundo, porém, recalcado e um ódio freado por não conseguir perdoá-lo ao tê-las abandonado, ela e sua mãe. Com o tempo, uma família sóbria e sólida formou-se entre as três mulheres, até a tarde quando o telefonema de um hospital há duzentos e oitenta quilômetros da cidade onde as três moram avisa que o Sr. Charles Renée Andéol, pai de Nicole, está em seus últimos momentos de vida e que ele pedira para ver a filha. Um desconforto paira entre Anne e Eléonore e um inconformismo invade Nicole, já que ela nunca admitiu seu pai ter sumido de casa sem nenhuma justificativa aparente. Após decidirem sobre o último pedido de Renée, a mãe de Nicole decide contar-lhe seu maior segredo: Com um casamento tido como perfeito Renée descobre por acaso que sua esposa possui um “affair” com Eléonore, sua amiga desde a école primaire. Renée fica completamente perdido, porém, como homem de extremo poder de compreensão, julga que o amor entre as duas deve ser preservado e também percebe que ele tem o dever de fazer sua esposa feliz e que duas mulheres podem perfeitamente cuidar da sua filha, ou seja, Renée tem uma atitude de incomensurável amor em relação a Anne que sempre teve Renée como o melhor ser humano que ela já conhecera. Durante a viagem ao hospital Anne revela toda a verdade à filha que em estado de quase choque, muda completamente seu pensamento em relação ao pai compreendendo enfim a grandeza do ato que ele cometera, oferecendo para sua mãe e tia postiça a liberdade de elas amarem o amor que durante tantos anos permaneceu sufocado. Chegando ao hospital recebem a notícia de que Renée acabara de falecer.
        A viagem de volta foi silenciosíssima, parecendo que cada uma fazia seu mea-culpa no mesmo tempo que não conseguiam entreolhar-se.
                                       * * *
        Em abril de dois mil e quatro, o advogado Emmanuel Ludot é procurado por Nicole Renée que se interessou por seus artigos escritos em diversas revistas onde defende fervorosamente o direito de pessoas do mesmo sexo poderem se casar. Ela lhe conta a estória de sua mãe e apesar de ela mesma já estar casada com o também advogado Jean Lambert, e ter um casal de filhos, relata que quer atuar nesta causa em defesa de sua mãe e de sua companheira. Começa então a participar de manifestações de rua, distribuir panfletos, acompanhar todas as notícias do Conselho de Estado Frances e pressionar senadores liderando vários grupos que crescem e se multiplicam a cada dia por toda a França.
          « Aimons-nous, Pas tuer notre amour, Liberté d'aimer « são frases que começam a serem lidas e ouvidas com cada vez mais frequencia e em mais lugares e cantos da França.
        Em dezessete de maio de dois mil e treze é finamente promulgada a lei que torna legítimo o casamento entre pessoas do mesmo sexo na França. Isto faz com que Nicolle Renée finalmente consiga perdoar seu pai.


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