Tem gente que envelhece e fica com cara de
velho, mas tem gente que envelhece e fica com cara de anjo. Cara de anjo, jeito
de anjo, voz de anjo, mãos de anjo, sorriso de anjo, olhos de anjo, olhar de
anjo, andar de anjo... Foi assim que vi e parei e fiquei vendo e olhando e
vendo uma foto do senhor Gilberto Passos Gil Moreira, no dia vinte e sete de
agosto de dois mil e dezesseis.
***
Envelhecer sem pressa, sem nostalgia, sem
sequer perceber-se a si mesmo que está envelhecendo, que coisa mais “Di Linda”!
Tem gente assim, “Gilberteando” a vida - como ele mesmo escreveria caso este
texto fora por ele escrito - e desta forma vai passando daqui pra lá, de lá pra
cá, do antes para o depois - preferencialmente de sandálias - com um violão à mão, sem muitos brilhos na
roupa, mas com uma auréola que reluz tanto o quanto uma auréola é capaz de ser-se,
até que um dia não só a luz acima da sua cabeça, mas a pessoa toda brilha e vai
ser luz como só a luz a sabe ser. E se transforma em um anjo inteiro, não
apenas um arremedo não alado, aí a gente fica pensando, só pensando num certo
nada, num certo tudo, ou não... Sem pra sempre sofrer.
* * *
Na última cena do final do final, enfim, tudo
bem. A gente tropeça na realidade e, sem cair, é convencido pelo “ser ou não
ser, eis a questão” de que vai se encontrar de novo pra tocar violão e cantar
músicas que só os anjos são capazes de cantar juntos. E a vida segue com anjos
a menos aqui na terra e anjos a mais no universo do jeito que só o universo
pode ser: Simples como a eterna caminhadura do Vendedor de Caranguejos!
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