sábado, 6 de agosto de 2016

Até quando

Até quando o Brasil será pobre? Não pobre de dinheiro, mas pobre de valores sejam eles éticos, sejam eles morais.
Não quero que o Brasil se transforme numa Noruega ou numa Suíça, isso não.
      Acho até que esses sejam países chatos de se viver. São bons para se passar férias, nada mais. Posso até achar chique viajar à Europa, mas é apenas chique, lá não tem carnaval. Acho bom viajar ao Japão e sentir a seriedade deles nas ruas ou em qualquer outro lugar que seja. Lógico que é bom estar no primeiro mundo, mas antes, ainda prefiro o meu mundo. Aquele que fala a minha língua, minha pátria até porque nada se compara ao calor das nossas praias, ainda que eu tenha que aprender a falar palavras sem significado concreto como Ipanema. Refiro-me também ao calor humano. Às mulatas de sangue borbulhante, aos mulatos swingueiros, aos gingados, aos sons baianos, às batucadas irreverentes, da pedra do sal, no mundo não há praias bonitas como as de santa Catarina, nem mulheres também, perdoem-me as cariocas. Fernando de Noronha não é para ser falado nem escrito, é para ser reverenciado como expressão máxima da perfeição de Deus. Carne de sol com jerimum como as do nordeste, então, nem pensar. Qual estrangeiro consegue ter a noção do que seja o pantanal, o estado do Amazonas? Nenhum. Para eles só em ficção existem jiboias e lagartos e sucuris e aranhas e macacos e araras e águas iguais às nossas.
      Vai à China pra ver se você encontra uma praia, uma só, como a mais simples praia daqui. Lá toda praia tem uma crosta de poluição que você nem imagina, só que não aparece na televisão de jeito algum. Os Japoneses desembolsariam quantias generosíssimas para ter uma mangueira no seu quintal, isto caso eles tivessem um quintal para plantar uma mangueira. Aqui, mangas, pitangas, peras, não só caem do pé, nas calçadas, mas também dão frutos como sobrenomes. É tão natural ser brasileiro que até parece difícil ser tão natural assim. Brasileiro.
      Enquanto temos tudo isso de bom, bonito e barato aqui no Brasil, me parece que as coisas acabam sempre se resumindo numa festa no meu apê na qual vai rolar bundalelê! Que pena!


06/08/16

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