De
tanta vida, de
tanta ida
Voltei
ao meu mesmo lugar
De
jogar bola, de infância
De
tanta saudade
De
tanto disputar par ou ímpar
Jogo
de botão então...
De
aprendizado, quando
Eu
perguntava para minha mãe
Como
ela sabia se ia chover
E
ele apenas dizia:
-
Olha pro céu. Se estiver escuro vai chover!
Eu
ia até longe do que era longe para mim
Eu
ia de mão dada, não olhando para o chão
Apenas
confiando na mão da minha mãe
E
achando que agora eu sabia quando iria chover.
Bastava
olhar para o céu.
Era
fácil saber quando eu e minha mãe iríamos sair.
Ela
não tinha muitos vestidos – nunca usou calça comprida – Uns vestidos eram para
ficar em casa, outros, para sair.
Eu
sabia sobre o dia de acordo com o vestido da minha mãe.
Garanto
que isso é verdade.
Dona
Enéia era assim, de uma simplicidade sem palavras, mas repleta de filosofia.
Agora
mais de cinquenta anos depois, quando eu quero saber se vai chover, olho para o
céu e vejo mais a minha mãe do que vejo o céu. Nem percebo que sorrio ao fingir
perguntar: Mãe, será que vai chover?
* * *
Tantas
memórias, quando de volta ao ninho
Voltei
sozinho com apenas uma mala
Mala
cheia de saudade e de vontade de vir pra
ficar
Mala
que quando abro encontro recordações, fatos e fotos de gente que é tão jovem nas
imagens
Mas
que envelhecem quando eu as vejo.
Nas
fotos as pessoas são menos tristes, talvez.
Voando
de volta ao ninho, eu quase inteiro
Ele
como sempre foi no passado
Eu
quase inteiramente feliz
Eu
dentro de minha própria mala
Mala
repleta de minhas lembranças
Saudades,
várias... E um violão
Que
vai fora da mala.
Violões
e asas não cabem em malas
Elas
não se destinam a isto
Asas
e violões são para voar pra outro lugar.
Não
se deve jogar malas fora.
Nunca
se sabe quando será a próxima viagem
Pode
ser amanhã, pode ser ainda hoje,
Pode-se
ter que preparar repentinamente
Uma
mala para me jogar em outro vôo
Com
o mesmo violão,
Para
outro ninho.
São
03h.25min
2016
Nenhum comentário:
Postar um comentário