segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Ler e reler

        Ando relendo meus textos. Descobri que quanto mais me leio e me releio, menos eu me entendo.
        Não sei se sou bom em escrever nem em ler, menos ainda em reler. Não sei por que cheguei a pensar em colocar o nome do meu blog de “ler e reler”, depois eu desisti, mas no fundo até que eu gostava desse título. Gosto de não saber-me.  Às vezes rio-me, outras vezes odeio-me. Tenho vontade de escrever para mim mesmo comentários nem sempre delicados em relação ao que escrevo. Nem sempre concordo comigo. Já cheguei a dormir revoltado com o que eu escrevi, mas escrevi, e daí?
        Ontem li uma coisa que eu escrevi e discordei completamente de mim mesmo. Perguntei-me de onde eu havia tirado aquela ideia. Acho que foi de dentro de uma garrafa de vodka, ou coisa parecida. Hoje não fui à missa e tomei uísque, acho que isso mudou minha percepção e minhas verdades, aliás, se há coisas subjetivas na vida são as verdades.  Agora com cinqüenta e tais anos já descobri umas quatro ou cinco verdades diferentes sobre quem descobriu o Brasil. Foi Pedro Álvares Cabral, foi Duarte Pacheco Pereira? Foi em 1500 ou em 1496? E os índios brasileiros de onde vieram? E por aí se vão e vêm as verdades.
        Hoje, oito de novembro de dois mil e catorze foi dia de prova do ENEM. Acho que eu não passaria no quesito redação, porém, e se em vez de eu ter escrito uma redação para o ENEM hoje eu apenas colocasse o endereço do meu blog e o examinador gostasse pelo menos de alguns textos meus? Ele poderia discordar, é claro, das minhas ideias, das minhas palavras e também poderia não entender-me e ao não me entender, reler, então tudo faria sentido, até mesmo a incompreensão do texto. Acho que “ler e reler” seria um bom título para o meu blog, se bem que não sei se eu seria aprovado na prova de geografia.

Nov/2014

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