quarta-feira, 3 de agosto de 2016

No ônibus

- Então ele teve mesmo coragem?
- É o que andam dizendo.
- Ele parecia ser tão bom marido.
- Sei lá, nunca se sabe.
- Também... Do jeito que ele é...
- Me falaram que ele tinha parado de beber.
- Eu acho que foi descuido dele.
- É, ele bobeou mesmo.
- Mas colocar veneno na comida dele... Sei lá.
- Ué, não foi facada?
- Ele se aproveitou da distração dele.
- Pois é homem traído é fogo.
- Mas eles não eram amigos?
- Eram até o dia em que ele descobriu.
- Que azar o dele.
- Eu acho até que ele teve suas razões.
- Pensando bem, ele mereceu.
- Ele não tinha nem trinta anos, tinha?
- A mãe dele falou o que?
- Que ele tem que pagar pelo que fez.
- Se eu fosse ele tinha feito a mesma coisa.
- A filhinha dele vai ficar com quem?
- Ouvi dizer que a irmã dele negou tudo.
- Ele era policial não era?
- Eu já vi ele também andar armado.
- Ele não reagiu?
- Ninguém sabe se foi arsênico ou cianeto.
- Então não foi facada mesmo?
- Tanto faz. Afinal ele morreu, não morreu?
- Ele teve muito sangue frio.
- Ele estava no lugar errado na hora errada.
-Mas a mulher dele não sabia que ele tinha outra?
- Que nada ele parecia um santo dentro de casa.
- Vou descer no próximo ponto.
- Diz que eu estou rezando por ele.
- Vou inclui-lo nas minhas orações
Vamos marcar um churrasco.
Sexta é feriado.
- Combinado.
-Tchau.
- Tchau.

2016

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