segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Vida

A única maneira de se fazer as pazes com e vida é morrer. Brigamos durante toda a vida. Com nossos filhos, com nossos vizinhos, com nossos amigos, com nossos inimigos e com nós mesmos, às vezes quando vamos dormir, outras vezes quando acordamos e nos olhamos no espelho. A vida não tem nada a ver com isso, ela apenas nos diz a cada dia: “Muito prazer” e a gente chora quando é novamente apresentado a ela. A vida nos acolhe e a gente começa a inventar problemas que não existiriam se a gente apenas se deixasse viver, olhasse para ela com amor, carinho compreensão e soubesse que ela não pede nada da gente. Normalmente não perdoamos a nossa vida e no final ela perdoa a gente.  Dá-nos as costas, vai embora sem nos pedir nada. Apenas vai embora cantando uma música que a gente deveria ter cantado ontem,
         Ontem a gente não cantou a tal música, enquanto que hoje é nunca mais e a morte na sua generosidade nos perdoa por isso. Podemos morrer com mil culpas, mas a morte está em paz com a gente. E nos recebe, não sei onde, com mil perdões.


Jan/2016

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