Complicado
imaginar que não somos eternos... Ou será que somos? Por intermédio dos nossos filhos,
nossos netos e assim por diante...
Complicado
imaginar que alguns amores não sejam eternos, ainda que distantes, inacessíveis
aos olhos, às mãos ou a corações.
Complicado
viver, mais complicado ainda, morrer. Qual
a certeza do que há atrás daquela porta? Será que há alguém que nos espera do
lado de lá? E o tal São Pedro com um livro de convidados para a festa do céu? E
o diabo com um garfo na mão nos aguardando para sermos jogados num caldeirão
cheio de óleo? E se nossos familiares mortos vierem nos receber – seja no céu,
seja no inferno – vivinhos da silva? E se eu me encontrar com o gerente do
banco? E se o delegado me encontrar mesmo depois de mortos eu e ele? E se não
for nada disso? Se não houver o gerente do banco, nem o caldeirão, nem o São
Pedro com o tal livro? E se simplesmente a terra for suficiente para
representar a morte com a gente lá em baixo bem enterradinho mesmo e pra
garantir, dentro de um caixão bem tarraxado? Lembrei agora: O céu não é azul.
Pelo menos, não ao entardecer ou ao amanhecer. Tanto em um quanto no outro
momento o céu é cor de fogo e isso muda alguns conceitos para mim. E se a
túnica dos anjos não for branca? E se nem todos os padres estiverem por lá? E
se o diabo não for tão feio quanto parece?
Ainda
não morri, nem sei quando acontecerá. Caso se confirme, ou não, essas hipóteses,
mas exista reencarnação, prometo contar tudo o que aprendi com a morte. Por
enquanto, por via das dúvidas, vou rezando minhas ave-Marias e meus pai-nossos.
Vai que tem alguém em algum lugar me ouvindo e levando minhas orações a sério...
2016
Nenhum comentário:
Postar um comentário