sábado, 30 de julho de 2016

Complicado imaginar

        Complicado imaginar que não somos eternos... Ou será que somos? Por intermédio dos nossos filhos, nossos netos e assim por diante...
        Complicado imaginar que alguns amores não sejam eternos, ainda que distantes, inacessíveis aos olhos, às mãos ou a corações.
        Complicado viver, mais complicado ainda, morrer.    Qual a certeza do que há atrás daquela porta? Será que há alguém que nos espera do lado de lá? E o tal São Pedro com um livro de convidados para a festa do céu? E o diabo com um garfo na mão nos aguardando para sermos jogados num caldeirão cheio de óleo? E se nossos familiares mortos vierem nos receber – seja no céu, seja no inferno – vivinhos da silva? E se eu me encontrar com o gerente do banco? E se o delegado me encontrar mesmo depois de mortos eu e ele? E se não for nada disso? Se não houver o gerente do banco, nem o caldeirão, nem o São Pedro com o tal livro? E se simplesmente a terra for suficiente para representar a morte com a gente lá em baixo bem enterradinho mesmo e pra garantir, dentro de um caixão bem tarraxado? Lembrei agora: O céu não é azul. Pelo menos, não ao entardecer ou ao amanhecer. Tanto em um quanto no outro momento o céu é cor de fogo e isso muda alguns conceitos para mim. E se a túnica dos anjos não for branca? E se nem todos os padres estiverem por lá? E se o diabo não for tão feio quanto parece?
        Ainda não morri, nem sei quando acontecerá. Caso se confirme, ou não, essas hipóteses, mas exista reencarnação, prometo contar tudo o que aprendi com a morte. Por enquanto, por via das dúvidas, vou rezando minhas ave-Marias e meus pai-nossos. Vai que tem alguém em algum lugar me ouvindo e levando minhas orações a sério...
2016

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