É
ensinando que se aprende muita coisa, entre elas que se não se compreende cada
dificuldade que o outro tem em aprender, aí temos que descobrir outros meios
para que ele chegue às suas próprias conclusões. O professor, por várias vezes
apenas aponta o caminho e quando o outro não aprende de determinada forma,
vai-se buscando outras maneiras, outros contextos para que ele acabe
encontrando suas próprias respostas, seja através de reflexões, ou em outros
casos, na prática. Um bom aluno, talvez seja mais importante do que um bom
professor. Aprendi isto em um estudo sobre pedagogia, de um autor cujo nome não
me vem à lembrança neste momento, talvez escrito pelo Paulo Freire, não sei
[...] Lembro-me, de algo como: Quanto mais burro o professor, melhor para o
aluno, pois, o professor a quem tudo é óbvio, grande é a sua dificuldade em
compreender as dúvidas de quem por ele é assistido, já que ele, o professor
nunca questionou a ele mesmo nenhuma daquelas obviedades enquanto que o
professor burro já respondeu a si próprio, tantas daquelas perguntas
supostamente tidas como idiotas para o outro professor que deste raciocínio se
desprende a conclusão que o professor mais idiota é melhor explicador de
dúvidas para quem na verdade não fez nenhuma pergunta idiota, e sim de cunho
extremamente difícil de ser compreendido ou resolvido por este.
Resumindo
a ópera, concluo que se muita gente hoje, ou ao menos um só alguém me agradece
por eu ter tentado e conseguido ensinar algo, ficarei mais feliz por saber-me
um idiota do que me achando um professor qualificado pela minha inteligência. Bons
alunos não combinam com bons professores. Maus alunos também não. Bons
professores têm que ser suficientemente burros a ponto de conseguirem entender
quaisquer coisas que por mais óbvia, seu aluno não tenha conseguido absorver
logo na primeira explicação. Talvez isto requeira mais paciência do que
inteligência por parte do professor. Sorte, nunca.
* * *
Tenho
sim, alunos a quem eu não consegui ensinar a tocar um instrumento, mas, pelo
contrário me tocaram tão profundamente o coração que passei de professor a
aluno num piscar de olhos, ou melhor, num estalar de dedos. Foi tentando
ensinar alguém a tocar piano que aprendi a amar. Foi tentando ensinar que
aprendi a me comover. Foi buscando explicações que aprendi a compreender. Por
isso, julgo que foi tentando aprender que consegui ensinar seja lá o que tenha
sido. Nunca
pensei em ensinar a liberdade a ninguém, até que alguém precisou que eu lhe
permitisse experimentar. E eu sabia que o gosto da liberdade é gostoso e que
não tem como se explicar a outra pessoa. Tem que provar. Como tentar explicar a
um surdo como é a sensação de ouvir uma música ou a um cego qual é a sensação
de apreciar um quadro? Liberdade tem gosto de liberdade, sabor e textura
singulares; mais ou menos assim. Lembro-me que eu sempre fazia uma analogia
sobre o passarinho da gaiola e o outro que nasceu livre para voar. Ainda gosto
desse exemplo.
Hoje
não dei aula, portanto convivi com a ausência de parabéns, de caixas de
bombons, de tapinhas nas costas, coisas assim, sequer telefonema. A única coisa
que recebi foi um e-mail que me valeu ouro pelo fato de ter-me sabido cumpridor
de minha missão, mas também pelo que li no que não estava escrito.
Aprendi
a ler os olhos, a ler as respirações. Conviver com as dificuldades dos outros,
então, nem se fala! Amanhã não será mais “dia do professor”. Pelo jeito vou ter
que esperar mais um ano para ler mais alguma coisa escondida entre uma palavra
e outra lida em um e-mail... Talvez. Mas eu aprendo a esperar, com ou sem
professor.
15/10/15
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