segunda-feira, 18 de julho de 2016

Aquele que escreve

Quem escreve morre
O que quem escreve é eterno.
Quem escreveu descansa
As palavras perambulam por aí.
Quando escrevemos
Jogamos ao vento as palavras
Quando lemos
Sorvemos o sabor de cada frase
E para que escrevemos?
Sem saber se seremos lidos?
Ou se seremos sabidos?
Sem pretender sermos entendidos,
Então, qual a função de ter escrito?
... Imaginar que alguém irá ler, ou
Supor que será um segredo de quem escreveu
E mantido para sempre consigo?
Escrever ou não escrever, eis a questão.
-Por não se conformar com uma página em branco,
Por precisar de talvez mais uma página,
Uma mais apenas para condensar palavras,
Mas apenas as suficientes para no final
Simplesmente dormir em paz.
Assim é usar a página em branco:
O exercício solitário,
A busca incessante,
A necessidade de trazer à vida as palavras
Que sempre estiveram dentro do escritor
O saber que a existência de quem escreve é finita,
Embora o que por ele é escrito, não.



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