O amor não morre, mas se cansa de ser. Em
algum momento ele sente que não é mais preciso que ele exista e ele sabe que
não é mais necessário viver, pelo menos não dentro de quem ele vivia antes.
Outros amores nascerão e viverão o tempo que for necessário dentro de outros
alguéns. Isto é bom e renecessário, a gente pode até não se dar conta, mas o
amor sabe disto e portanto, é eterno.
Um
escritor de ofício, obviamente não eu, escreveu sobre um homem que passou a
vida olhando o rio passando enquanto nunca se deu conta de quem estava passando
era ele e não o rio. O rio estaria sempre lá, mas o homem se iria.
Será que achamos que o amor se vai
enquanto quem se vai somos nós e enquanto isso o amor ri da gente? Não estou
escrevendo, estou apenas pensando. Talvez eu escreva sobre isso amanhã, não
sei. Pode ser que acorde com outra ideia, como escrever sobre o sol ou sobre a
chuva. Ambos são prováveis, apenas eu é que sou inconstante.
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