quinta-feira, 14 de julho de 2016

Sophie

Caso poeta ao acaso fosse eu
Nem assim eu saberia escrever
De onde veio o sabor da língua que ficou
Gostosamente pousada na minha língua.

De onde veio a mulher para quem agora escrevo
Julgando-me erroneamente poeta?

Será que poetas são assim como eu?
Apenas quem não sabe escrever
Nem decifrar as coisas que sentem?
Terminando as frases com interrogações...

Por quê persiste o aroma do perfume
Que sinto em mim e que veio de Sophie?

Nada tens de Sophie, eu sei.
Este é o nome que reservei para alguém
Que eu algum dia viesse a encontrar
E pertencesse ao nome que guardei
A oito chaves (sete seriam poucas)
E que fosse a Sophie
Para quem guardei o nome

De onde veio Sophie, o nome
De onde vieste Sophie, a mulher
A trazer-me vida
A ressuscitar-me,
A desenclausurar-me
A fazer eu desesconder-me de mim
E revisitar meus porões
  
Nada de poeta há em mim, garanto.
Porém há em mim o que há nos poetas
E que os movem.
  
Residem em minha memória
A textura da pele pela qual passeei
Os olhos que olhei em Sophie
O hálito que degustei dela
As mãos dela nas minhas
Sua temperatura quente

Não me julguem poeta, posto que nem acaso o sou.
O que deveras há em minhas palavras
Não é nada
Caso não existisse Sophie

Sophie é a poesia que dorme agora comigo
E seus olhos ainda que fechados
Enquanto dorme solta longe de mim,
São poesia, ainda que eu não seja
(E não sou) poeta.


São Paulo, 18 /10/09.


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