Caso
poeta ao acaso fosse eu
Nem
assim eu saberia escrever
De
onde veio o sabor da língua que ficou
Gostosamente
pousada na minha língua.
De
onde veio a mulher para quem agora escrevo
Julgando-me
erroneamente poeta?
Será
que poetas são assim como eu?
Apenas
quem não sabe escrever
Nem
decifrar as coisas que sentem?
Terminando
as frases com interrogações...
Por
quê persiste o aroma do perfume
Que
sinto em mim e que veio de Sophie?
Nada
tens de Sophie, eu sei.
Este
é o nome que reservei para alguém
Que
eu algum dia viesse a encontrar
E
pertencesse ao nome que guardei
A
oito chaves (sete seriam poucas)
E que
fosse a Sophie
Para
quem guardei o nome
De
onde veio Sophie, o nome
De
onde vieste Sophie, a mulher
A
trazer-me vida
A ressuscitar-me,
A
desenclausurar-me
A fazer
eu desesconder-me de mim
E
revisitar meus porões
Nada
de poeta há em mim, garanto.
Porém há
em mim o que há nos poetas
E que
os movem.
Residem
em minha memória
A
textura da pele pela qual passeei
Os
olhos que olhei em Sophie
O
hálito que degustei dela
As
mãos dela nas minhas
Sua
temperatura quente
Não
me julguem poeta, posto que nem acaso o sou.
O
que deveras há em minhas palavras
Não
é nada
Caso
não existisse Sophie
Sophie
é a poesia que dorme agora comigo
E
seus olhos ainda que fechados
Enquanto
dorme solta longe de mim,
São
poesia, ainda que eu não seja
(E
não sou) poeta.
São Paulo, 18 /10/09.
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