Era uma vez...
Uma
tartaruga que sonhava voar.
Mas
ela era uma tartaruga e tartaruga não voa.
Por
isso ela andava muito triste pela floresta.
E
a tartaruga foi andando, andando, andando
Até
que encontrou uma borboleta que estava com uma perna machucada. E a tartaruga
parou para conversar com ela.
-
Oi borboleta, tudo bem?
-
Eu “tô triste, respondeu a borboleta com a cabeça baixa.
-
Mas você é tão bonita, tão cheia de cores, porque está triste?
-É
porque eu só sei voar, eu não sei andar assim como você pela floresta. E só
saber voar me deixa triste.
-
Ué, mas eu também estou triste porque só sei andar e não sei voar. Eu gostaria
de ver o céu bem lá de cima. Ver como é a floresta aqui em baixo, mas eu sou só
uma tartaruga. E eu sou só uma borboleta,
falou a borboleta pensativa.
Que
engraçado né? A gente é triste porque não tem o que o outro tem. Já pensou se o
Leão fosse triste porque não sabe cantar como o passarinho? Como seria triste
se o peixe fosse triste porque só pode viver dentro d’água? Acho que se fosse
assim todo mundo seria triste, um por ser gordo, outro por ser magro, um por
ser negro, outro por ser branquelo.
Pior
ainda se a gente fosse infeliz só porque não tem aquilo que os outros têm.
A
tartaruga parou, parou não, já estava parada, mas continuou parada pensando:
Poxa vida é mesmo. A gente não precisa ser triste, se puder ajudar quem não tem
alguma coisa que a gente tem.
Será
que alguém aqui consegue adivinhar o que a gente tem e que pode dar para o
outro para fazê-lo mais feliz?
C A R I N H O, pensou a
tartaruga.
Acho
que é isso mesmo. Se eu der carinho pra borboleta ela pode ficar mais feliz. O
que vocês acham? Se eu chamar a borboleta para subir em cima de mim a gente
pode fazer um passeio muito bonito pela floresta e ela não precisa nem voar pra
andar aqui no chão comigo. - Vocês concordam? -
Que
pena da borboleta que não pode andar porque só sabe voar. É tão bom andar pela
floresta, conhecer os outros bichos que também andam, mesmo que sejam meio
bravos sempre tem um jeito de se fazer amizade, desde que não seja um leão com
fome, né?
-Borboleta,
você conhece as formigas?
-
Não.
-
E os tamanduás?
-
Também não. Conheço só outras borboletas e mariposas. De longe vejo
passarinhos, mas não sou amiga deles.
--Se
você conseguir subir aqui nas minhas costas mesmo com sua perninha quebrada eu
posso levar você pra passear pelo chão da floresta e eu te apresento um monte
de bicho amigo meu. Você quer? Os olhinhos da borboleta logo brilharam e ela
fez força pra conseguir subir em cima da nova amiga, a tartaruga.
Assim
elas foram conversando e a tartaruga apresentando à borboleta um monte de
gente, gente não, bicho que era amigo dela e que andava pela floresta. Nenhum
deles voava e nem nunca tinham visto uma borboleta tão de perto. O tatu logo
quis saber o nome da borboletinha e ela disse que se chamava Clarinha por causa
da sua cor bem branquinha, um coelho parou e ficou olhando pra ela achando que
ela ia fugir, mas ela não fugiu, ficou ali em cima da amiga tartaruga e assim
foram andando pela floresta pelo meio do mato onde as borboletas nunca voam,
afinal, as borboletas gostam de voar no céu. Depois de muito tempo a borboleta
já tinha feito muitos amigos na terra e estava muito feliz por causa disso. Nem
tinha notado que sua perninha já estava praticamente curada. A borboletinha
começou a bater as asas e viu que já conseguia voar de novo, mas não queria que
a tartaruga que tinha lhe ajudado ficasse triste por que não podia voar como
ela então teve uma idéia. Disse para a sua amiga tartaruguinha. Olha: Eu vou
voar, mas vou trazer um presente bem bacana pra você não se esquecer de mim, ta
bem? Não fique triste porque eu vou embora,
mas eu volto para agradecer tudo o que você fez por mim, ta legal? A
tartaruguinha ficou meio triste, mas não podia impedir a sua amiga de ir embora
porque borboletas foram feitas para voar e tartarugas foram feitas para andar
na terra. Assim aconteceu. A borboleta voou, voou, voou muito alto até sumir da
vista da tartaruga que ficou lá em baixo achando que nunca iria conseguir voar
como a sua amiga, mas ficou feliz por ter mostrado a ela tanta coisa que ela
não iria ver se não fosse pela sua ajuda e amigos são assim, ajudam os outros
porque gostam deles e a tartaruga gostava mesmo da borboleta. Era uma amizade
muito bonita mesmo.
Assim
o tempo passou, fez frio, fez calor, choveu, fez sol, até que num dia a
tartaruga de repente olhou pro céu e viu uma coisa que era uma meio
estranha. Era uma nuvem, mas era uma
nuvem de borboletas que iam chegando cada vez mais perto da tartaruga. A
tartaruga se encolheu toda no seu casco, até que ouviu uma voz que gritou pra
ela: Tartaruuuuuuuuuga!!! Sou eu que vim agradecer você como eu tinha
prometido. Eu juntei todas as minhas amigas para fazer você conseguir voar.
Olha só São mais de cem, mais de mil mais de um montão. A gente só precisa que
você fique bem paradinha pra gente se segurar nas suas costas aí eu acho que
com a força de todas nós a gente consegue levantar você pra você voar. A
tartaruga ficou quietinha, com os olhos olhando praquele montão de borboletas e
rezou pra que elas conseguissem levantá-la mesmo. E assim aconteceu.
Uma
a uma as borboletas foram se ajeitando no casco da tartaruga até que ela ficou
coberta de borboletas por todos os lados. As borboletas apesar de serem
fraquinhas, quando se juntaram ficaram muito fortes e conseguiram levantar a
tartaruga e devagarzinho a tartaruga foi vendo o que ela sempre sonhou ver. O
mundo de outra forma. Agora tudo era diferente: O mundo era diferente, os rios
eram diferentes vistos lá de cima, até o leão não parecia tão grande, e as
borboletas começaram a cantar e a tartaruga logo cantou com elas uma música que
só as borboletas e a tartaruga sabem cantar. Assim, se passaram horas com a
tartaruga voando e cantando e as borboletas cantando junto até que tiveram que
pousar porque começou a chover e as borboletas não sabem voar na chuva.
Quando
a tartaruga voltou ao chão viu as borboletas voando de volta para não se sabe
onde porque a gente nunca sabe pra onde as borboletas vão quando chove não é
mesmo? E a tartaruga voltou para casa e sua mão perguntou pra ela por onde ela
tinha andado. Ela respondeu que tinha voado. A mãe dela respondeu que não era
verdade porque tartaruga não voa, mas a tartaruguinha explicou pra mãe dela que
quando se encontra um amigo de verdade a gente pode fazer coisas que só a
amizade pode fazer e que quando q gente faz um bem para alguém e que consegue
um amigo, o amigo faz a gente se sentir muito feliz. A mãe da tartaruguinha
riu, e disse que a filha devia ter sonhado e que aquilo era impossível, então a
tartaruguinha disse: Mãe: Se foi um sonho, então eu quero sonhar todo dia que
eu tenho um amigo que eu ajudei e que ele me fez voar como as tartarugas
sozinhas nunca conseguirão.
Depois
desse dia a tartaruguinha sempre olhava para o céu e sabia que eu algum lugar,
não sabia onde, tinha uma amiga que se chamava Clarinha, a borboleta. E por
isso a tartaruguinha viveu para sempre feliz.
Friburgo
maio/14
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