sexta-feira, 8 de julho de 2016

Era uma vez...

Era uma vez...
Uma tartaruga que sonhava voar.
Mas ela era uma tartaruga e tartaruga não voa.
Por isso ela andava muito triste pela floresta.
E a tartaruga foi andando, andando, andando
Até que encontrou uma borboleta que estava com uma perna machucada. E a tartaruga parou para conversar com ela.
- Oi borboleta, tudo bem?
- Eu “tô triste, respondeu a borboleta com a cabeça baixa.
- Mas você é tão bonita, tão cheia de cores, porque está triste?
-É porque eu só sei voar, eu não sei andar assim como você pela floresta. E só saber voar me deixa triste.
- Ué, mas eu também estou triste porque só sei andar e não sei voar. Eu gostaria de ver o céu bem lá de cima. Ver como é a floresta aqui em baixo, mas eu sou só uma tartaruga.  E eu sou só uma borboleta, falou a borboleta pensativa.
Que engraçado né? A gente é triste porque não tem o que o outro tem. Já pensou se o Leão fosse triste porque não sabe cantar como o passarinho? Como seria triste se o peixe fosse triste porque só pode viver dentro d’água? Acho que se fosse assim todo mundo seria triste, um por ser gordo, outro por ser magro, um por ser negro, outro por ser branquelo.
Pior ainda se a gente fosse infeliz só porque não tem aquilo que os outros têm.
A tartaruga parou, parou não, já estava parada, mas continuou parada pensando: Poxa vida é mesmo. A gente não precisa ser triste, se puder ajudar quem não tem alguma coisa que a gente tem.
Será que alguém aqui consegue adivinhar o que a gente tem e que pode dar para o outro para fazê-lo mais feliz?
C A R I N H O, pensou a tartaruga.

Acho que é isso mesmo. Se eu der carinho pra borboleta ela pode ficar mais feliz. O que vocês acham? Se eu chamar a borboleta para subir em cima de mim a gente pode fazer um passeio muito bonito pela floresta e ela não precisa nem voar pra andar aqui no chão comigo. - Vocês concordam? -
Que pena da borboleta que não pode andar porque só sabe voar. É tão bom andar pela floresta, conhecer os outros bichos que também andam, mesmo que sejam meio bravos sempre tem um jeito de se fazer amizade, desde que não seja um leão com fome, né?

-Borboleta, você conhece as formigas?
- Não.
- E os tamanduás?
- Também não. Conheço só outras borboletas e mariposas. De longe vejo passarinhos, mas não sou amiga deles.
--Se você conseguir subir aqui nas minhas costas mesmo com sua perninha quebrada eu posso levar você pra passear pelo chão da floresta e eu te apresento um monte de bicho amigo meu. Você quer? Os olhinhos da borboleta logo brilharam e ela fez força pra conseguir subir em cima da nova amiga, a tartaruga.
Assim elas foram conversando e a tartaruga apresentando à borboleta um monte de gente, gente não, bicho que era amigo dela e que andava pela floresta. Nenhum deles voava e nem nunca tinham visto uma borboleta tão de perto. O tatu logo quis saber o nome da borboletinha e ela disse que se chamava Clarinha por causa da sua cor bem branquinha, um coelho parou e ficou olhando pra ela achando que ela ia fugir, mas ela não fugiu, ficou ali em cima da amiga tartaruga e assim foram andando pela floresta pelo meio do mato onde as borboletas nunca voam, afinal, as borboletas gostam de voar no céu. Depois de muito tempo a borboleta já tinha feito muitos amigos na terra e estava muito feliz por causa disso. Nem tinha notado que sua perninha já estava praticamente curada. A borboletinha começou a bater as asas e viu que já conseguia voar de novo, mas não queria que a tartaruga que tinha lhe ajudado ficasse triste por que não podia voar como ela então teve uma idéia. Disse para a sua amiga tartaruguinha. Olha: Eu vou voar, mas vou trazer um presente bem bacana pra você não se esquecer de mim, ta bem?  Não fique triste porque eu vou embora, mas eu volto para agradecer tudo o que você fez por mim, ta legal? A tartaruguinha ficou meio triste, mas não podia impedir a sua amiga de ir embora porque borboletas foram feitas para voar e tartarugas foram feitas para andar na terra. Assim aconteceu. A borboleta voou, voou, voou muito alto até sumir da vista da tartaruga que ficou lá em baixo achando que nunca iria conseguir voar como a sua amiga, mas ficou feliz por ter mostrado a ela tanta coisa que ela não iria ver se não fosse pela sua ajuda e amigos são assim, ajudam os outros porque gostam deles e a tartaruga gostava mesmo da borboleta. Era uma amizade muito bonita mesmo.
Assim o tempo passou, fez frio, fez calor, choveu, fez sol, até que num dia a tartaruga de repente olhou pro céu e viu uma coisa que era uma meio estranha.  Era uma nuvem, mas era uma nuvem de borboletas que iam chegando cada vez mais perto da tartaruga. A tartaruga se encolheu toda no seu casco, até que ouviu uma voz que gritou pra ela: Tartaruuuuuuuuuga!!! Sou eu que vim agradecer você como eu tinha prometido. Eu juntei todas as minhas amigas para fazer você conseguir voar. Olha só São mais de cem, mais de mil mais de um montão. A gente só precisa que você fique bem paradinha pra gente se segurar nas suas costas aí eu acho que com a força de todas nós a gente consegue levantar você pra você voar. A tartaruga ficou quietinha, com os olhos olhando praquele montão de borboletas e rezou pra que elas conseguissem levantá-la mesmo. E assim aconteceu.
Uma a uma as borboletas foram se ajeitando no casco da tartaruga até que ela ficou coberta de borboletas por todos os lados. As borboletas apesar de serem fraquinhas, quando se juntaram ficaram muito fortes e conseguiram levantar a tartaruga e devagarzinho a tartaruga foi vendo o que ela sempre sonhou ver. O mundo de outra forma. Agora tudo era diferente: O mundo era diferente, os rios eram diferentes vistos lá de cima, até o leão não parecia tão grande, e as borboletas começaram a cantar e a tartaruga logo cantou com elas uma música que só as borboletas e a tartaruga sabem cantar. Assim, se passaram horas com a tartaruga voando e cantando e as borboletas cantando junto até que tiveram que pousar porque começou a chover e as borboletas não sabem voar na chuva.
Quando a tartaruga voltou ao chão viu as borboletas voando de volta para não se sabe onde porque a gente nunca sabe pra onde as borboletas vão quando chove não é mesmo? E a tartaruga voltou para casa e sua mão perguntou pra ela por onde ela tinha andado. Ela respondeu que tinha voado. A mãe dela respondeu que não era verdade porque tartaruga não voa, mas a tartaruguinha explicou pra mãe dela que quando se encontra um amigo de verdade a gente pode fazer coisas que só a amizade pode fazer e que quando q gente faz um bem para alguém e que consegue um amigo, o amigo faz a gente se sentir muito feliz. A mãe da tartaruguinha riu, e disse que a filha devia ter sonhado e que aquilo era impossível, então a tartaruguinha disse: Mãe: Se foi um sonho, então eu quero sonhar todo dia que eu tenho um amigo que eu ajudei e que ele me fez voar como as tartarugas sozinhas nunca conseguirão.
Depois desse dia a tartaruguinha sempre olhava para o céu e sabia que eu algum lugar, não sabia onde, tinha uma amiga que se chamava Clarinha, a borboleta. E por isso a tartaruguinha viveu para sempre feliz.



Friburgo maio/14


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