terça-feira, 5 de julho de 2016

Que canto é este teu?

Que canto é este teu
Que tanto me encanta
Que voz é esta tua
Que a mim parece nua
Essa voz que em meus ouvidos flutua
Pelos cantos dos cantos do meu pensamento

Para quem será
Que eu conto os dias, que somo as vontades
Do que imagino que somos
E que não conto para ninguém?
  
Serás talvez minha algoz?
Serás então minha rainha?
Serás assim tão feroz?
Serás enfim um dia minha?

Quem serás tu
Serás sempre apenas tua?
Sem permitir de mim o beijo
Ou o receber de mim o abraço?

Onde vive teu coração?
Onde moram teus segredos?
Onde adormecem teus sonhos?
Qual é mesmo o teu nome?

Que tão plena, tão sem pena
Tão sem pressa, tão sem culpa
Fazes arder-me o coração
Como um doce punhal
Que me faz sangrar sem dor

E eu amarrado ao umbral da porta
Despido e desprovido de forças
Para sequer sentir o corte
Da incisão do amor

Quem és tu
Que nunca aparece na janela
Quando passo e olho
E meus passos se alargam
Para que eu ande mais devagar
Pensando que atrás da janela
Tu estás acordada ou enclausurada
Pensando em mim

Cantando um canto mudo
Sem que o mundo ouça
Como uma sereia
Que só seduz a mim
Cantas para mim
E apenas eu a ouço
Ou tu, supondo que eu a ouça.

Mas não faz diferença
Sereias só existem
Para quem mergulha no mar
Tu só existes por quê
Mergulhei no mar do teu amor

E assim passo por aquela janela
Apenas imaginando que tu sejas ela.


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