Então
éramos um povo
Então
éramos indígenas
Então
éramos puros
Então
éramos floresta
Então
éramos “povo de mel”.
Então
mudamos
Então
perdemos o mel
Então
deixamos de ser puros
Então
deixamos de ser floresta
Então
nos perdemos
Então
chegamos onde estamos.
E
agora José?
No
meio do caminho não há mais pedra
Não
há mais peroba do campo
O
Brazil já não conhece o Brasil
Ipanema
virou “Ipanima”
Melhor,
talvez, seria ser filho da outra.
O
Brasil agora é assim:
“Assim
você me mata”
E
me mata mesmo
De
vergonha
Eu
queria morrer de amor pelo meu país
Eu
queria ser “Mira Ira”
Será
que ninguém nota?
Será
que todos se contentam?
Será
que ninguém se incomoda?
Será
que inteligência é usar a bunda?
Então
tá certo mesmo
“Assim
você me mata”
Evoluímos
a este ponto?
“Assim
você me mata”
De
tristeza
Aqui
é o meu país
De
Iaras, de bem-te-vis
De
Franciscos, de Jobins
De
Oscares de Almeida
O
Brasil é moreno
Quando
não de cor, de sol.
O
Brasil é mulato
Quando
não de pais, de avôs.
O
Brasil é negro
Quando
não de pele, de sangue.
Aí
sim somos Mira Ira.
Mas
já que “Assim você me mata”
Ó
Brasil,
“Vem matar essa paixão
Que
me devora o coração
E
só assim então
Serei
feliz,
Bem
feliz”.
Brasil,
abril / 2012
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