Estou aqui pensando se devo ou não
escrever, se devo escrever sobre o quê, se o que tenho a escrever será lido por
alguém, se alguém se importaria com o que eu escreveria, caso eu viesse a
escrever agora. Meu coração parece que entrou em um triturador de emoções, em
alguma máquina que fê-lo ficar entre massacrado e moído, entre perdido e
triste, não sei, mas percebo que meu coração sofre, titubeia ao bater
desordenadamente como se não tivesse vontade de bater [nem força]. Entre o
coração que nem sei se bate e o que estou sentindo, acabo por não conseguir
redigir sequer uma linha que se aproveite para ser lida, tal a confusão na qual
estou mergulhado. Narrador da minha própria angústia, sentidor da minha própria
lança, se eu quisesse correr não saberia para onde, se eu quisesse gritar não
saberia em qual direção, se eu quisesse encontrá-la não saberia o caminho, tudo
isto faz de mim um amador-amador à procura do seu amor, um peregrino em busca da
sua meta, uma palavra em busca da poesia, um mendigo à espera da esmola, um
pecador em busca da salvação. Caso eu conseguisse escrever algo, uma linha
sequer, eu poderia talvez me livrar da sua ausência que crucial e antagonicamente
é a única coisa presente agora.
09/01/10
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