sábado, 23 de julho de 2016

Duas e dez

Estou ficando cada vez mais tudo: Mais chato, mais exigente, mais insuportável, mais quieto e agora estou ficando mais ranzinza também, mas não tem problema, estou mais com quem não ter com quem conversar e, portanto me permito tudo isto.
        Acordei e não sabia se estava meio bêbado ou meio cego, porque eu só via um ponteiro no relógio que fica na cozinha, depois descobri que eu não era nem uma coisa nem outra, apenas eram duas e dez da manhã. Eu estava em busca de algo para comer e enquanto fazia uma varredura sem sucesso pela geladeira pensei em duas coisas: Nela e em uma música. O seu nome eu sabia, é claro, mas eu não sabia o nome da música que fizera eu me lembrar dela. Duas e dezoito liguei o computador sem a menor ideia de como iria encontrar a tal música, mas eu me conhecendo, preparei-me para encontrá-la a qualquer custo mesmo sem saber o seu nome. Revirei minha memória e nada, nenhuma pista, só tinha uns fragmentos da letra, mas o fato de ser cada vez mais teimoso ajudou. Abri uma cerveja e então... Fui à luta, cerveja em punho.
Estou mais um monte de coisas, mais velho, claro, mas voltei no tempo e isto me fez bem. Não fora esse meu jeito quase incompreensível de ser eu não teria conseguido voltar ao meu passado nem encontrado a música que a insônia me obrigara a procurar. Dizem que o tempo não volta, mas eu do meu jeito consigo até isto, voltar no tempo. Não vou escrever mais porque dentro dos meus “mais”, também hoje estou mais saudoso do que de costume.
Ah! O nome da música? “Diga lá coração” do Gonzaguinha.


Friburgo, quatro da manhã de 2012.

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