...E então são mais
trezentos e sessenta e cincos de outros trezentos e sessenta e cinco dias de
cada ano e só por isto as pessoas se acham mais felizes, mais generosas, mais-mais
do que realmente são na verdade. No entanto é apenas mais um dia dentro de
tantos outros. Eu não precisei de trezentos e sessenta e cinco dias para
encontrar uma pessoa, sequer precisei de um dia, foi por um segundo que minha
vida ficou mais bonita, mais alegre e melhor do que fora em cinqüenta anos que
pelas minhas contas dá algo em torno de dezoito mil duzentos e cinqüenta dias.
E tudo mudado em um segundo. Não dependeu desses tantos dias para que eu me
transformasse em uma pessoa melhor, nem mais menos orgulhosa, dependeu de uma
pessoa que sempre esteve por aqui, não por perto, pelo contrário, longe, mas
seguramente à espreita de que eu passasse na sua frente. E então sutilmente me
agarrou, me envolveu e me fez ser melhor do que eu era em só um segundo. Agora
estou pensando não nos tais dezoito mil e não sei quantos dias, estou pensando
em abrir a porta da minha casa, a porta da minha vida para cada minuto, para
cada momento, para cada gesto ou olhar, estou pensando em ficar atento, preciso
aproveitar não mais trezentos e sessenta e cinco dias de um novo ano, tenho que
aproveitar cada minuto, a partir de agora e assim não precisarei de trezentos e
sessenta e cinco dias para fazer promessas de emagrecer nem de parar de fumar
nem de garantir que vou trabalhar menos nem ainda de que vou ganhar mais
dinheiro. Na verdade pensando em ano a ano terei quinhentos e vinte e cinco mil
seiscentos e vinte minutos para ser a amado e amar, isto só neste ano. Só
depende de me deixar que isto aconteça durante trezentos e sessenta e cinco
dias, pelo menos durante vinte e quatro horas por dia. Bastará que a pessoa
certa me dê um esbarrão numa calçada qualquer. Será um bom ano. Depois eu penso
nos outros futuros.
31/12/10
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