sexta-feira, 8 de julho de 2016

E então

...E então são mais trezentos e sessenta e cincos de outros trezentos e sessenta e cinco dias de cada ano e só por isto as pessoas se acham mais felizes, mais generosas, mais-mais do que realmente são na verdade. No entanto é apenas mais um dia dentro de tantos outros. Eu não precisei de trezentos e sessenta e cinco dias para encontrar uma pessoa, sequer precisei de um dia, foi por um segundo que minha vida ficou mais bonita, mais alegre e melhor do que fora em cinqüenta anos que pelas minhas contas dá algo em torno de dezoito mil duzentos e cinqüenta dias. E tudo mudado em um segundo. Não dependeu desses tantos dias para que eu me transformasse em uma pessoa melhor, nem mais menos orgulhosa, dependeu de uma pessoa que sempre esteve por aqui, não por perto, pelo contrário, longe, mas seguramente à espreita de que eu passasse na sua frente. E então sutilmente me agarrou, me envolveu e me fez ser melhor do que eu era em só um segundo. Agora estou pensando não nos tais dezoito mil e não sei quantos dias, estou pensando em abrir a porta da minha casa, a porta da minha vida para cada minuto, para cada momento, para cada gesto ou olhar, estou pensando em ficar atento, preciso aproveitar não mais trezentos e sessenta e cinco dias de um novo ano, tenho que aproveitar cada minuto, a partir de agora e assim não precisarei de trezentos e sessenta e cinco dias para fazer promessas de emagrecer nem de parar de fumar nem de garantir que vou trabalhar menos nem ainda de que vou ganhar mais dinheiro. Na verdade pensando em ano a ano terei quinhentos e vinte e cinco mil seiscentos e vinte minutos para ser a amado e amar, isto só neste ano. Só depende de me deixar que isto aconteça durante trezentos e sessenta e cinco dias, pelo menos durante vinte e quatro horas por dia. Bastará que a pessoa certa me dê um esbarrão numa calçada qualquer. Será um bom ano. Depois eu penso nos outros futuros.



31/12/10

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