Sou exatamente assim: Dado ao silêncio
Sou assim de ficar quieto, de pijama,
De andar de bicicleta, de beber água de
riacho.
Sou assim de observar pássaros,
Sou assim e gosto de ser assim
Longe de tudo, perto de mim.
Fumo cigarro de palha e ando descalço
Tenho poucas roupas, só as que preciso,
Sou de poucos amigos, só os que preciso.
Não vou a festas, não preciso
Tenho um toca-discos
De mil novecentos e oitenta e cinco
Que toca discos de vinil, acreditem!
Sou assim do passado
Que passa e volta e volta e não passa
Pelo menos nunca passa por dentro de mim
Permanece meu no meu silêncio
Com luzes apagadas e estrelas acesas
Sou assim, eu, sozinho.
Acordo como uma folha em branco
Diariamente, secretamente, eternamente.
Sou assim, estranho, evito falar
Evito escrever, às vezes evito até mesmo
ser-me.
Mas sou, sabendo que um dia não mais ser-me-ei.
Mas enquanto eu for, serei assim
Quieto, calado, com um amor tão grande
Guardado em mim, sem palavras.
Gritando meu silêncio
Guardando meus sentimentos
Que mesmo quem ler
Nunca saberá o que estou sentindo agora
Ouvindo uma música
Com a luz apagada e os olhos fechados.
(Ouvindo
uma música do Guinga)
Agosto/2015.
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