sábado, 23 de julho de 2016

O idiota

        Fui induzido, ou abduzido - não sei - a prestar atenção em uma conversa entre dois casais eu ocupavam uma mesa ao lado da minha simples cadeira na piscina do clube que frequento categoricamente aos domingos, no verão. Eu acabei por me interessar pela conversa deles não pelo assunto, mas por causa do volume que até lembrava um jogo de truco, se é que me entendem.
        Uma das mulheres falava animadíssima que eles (o casal) haviam comprado uma antena dessas que você paga, depois a antena é sua e aí você tem mais de cento e quarenta canais. Fechei o livro que eu estava lendo enquanto a outra mulher dizia que também tinha comprado e que agora a TV de 60’ parecia um cinema. Apenas as mulheres falavam enquanto os dois maridos combinavam de ir assistir o jogo de futebol no estádio, que é muito melhor do que em qualquer TV. Somente quando o assunto foi “quem havia matado Max” na novela é que eles mantiveram uma conversa a quatro cabeças, cada uma com um palpite diferente. Ajeitei-me na minha espreguiçadeira e passei de leitor a ouvinte. Agora o assunto entre os casais (novamente eles de um lado, elas de outro) duas apostas: eles apostando quem iria ganhar o jogo e elas quem iria ganhar o BBB. A parte do jogo eu até entendi, mas eu nem tenho TV... BBB?
        Eles foram embora, os maridos para irem ao estádio e as mulheres para assistir o programa do GUGU, isso eu ouvi e eu fiquei imaginando assistir, GLOBO, SBT, ou qualquer outra emissora dessas de canal aberto. Ainda bem que não possuo sequer televisão em casa. O máximo que faço é acompanhar notícias pelas emissoras de rádio.

        Ah! Sim, quanto ao meu livro? Voltei a lê-lo: “O idiota” – Dostoiévski -. 


20/12/15

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