De tudo, antes pretendo encharcar você com palavras,
inundá-la de “mins”, já que pretendo ser tantos na sua vida. Seu amigo, seu
namorado, seu confidente, seu amante, seu companheiro, e um dia ser a sua mais
importante e bela saudade. Hoje quero só rodeá-la de neologismos, de palavras
que você nunca leu, de sentimentos que você nunca sentiu, de termos que eu
invento assim como inventei o que sinto por você, coisa que eu nunca tinha
sentido e que agora faz todo sentido sentir. Se você me acha estranho, sou
mesmo, se me acha diferente, sou também, mas se você me acha especial, aposte
que sou mesmo. Sou especial por não ter vergonha de amar. Conhece-se pessoas
menos pelo que elas parecem ser do que pelo que elas escrevem. Quando o
escritor escreve ainda que as suas estórias sejam falsas, as suas palavras são
verdadeiras, tal como as minhas. Mas, afinal sobre o que eu estava escrevendo
mesmo? Ah, sobre inundar você com minhas palavras, ou algo assim, não lembro
direito. Mas sinto que você entende cada letra de cada palavra que escrevo,
inundando-a, encharcando-a de mim com palavras absolutamente absurdas, mas,
particularmente nossas.
22/11/09
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