Ele era muito
inteligente, o burro, e o homem era muito burro. O homem achava que era dono do
burro, mas o burro sabia que ele era quem mandava no homem. Certo dia o burro
teve uma ideia. Vender o burro, assim ele poderia ter dinheiro para comprar
outras coisas e o burro ficou feliz com essa ideia porque não iria mais
precisar ser propriedade de um burro que só o fazia trabalhar e trabalhar.
Então o burro levou o burro para a feira de burros e lá anunciou: Vende-se um
burro. O inteligente-do-burro se fingiu de doente e logo assim que chegou à
feira caiu bem no meio da rua e ficou lá estatelado. Todo mundo que passava pelo burro perguntava o quanto o homem queria pelo burro, mas ninguém se interessava por um
burro doente então o burro não conseguiu vender o burro. Deixou o burro lá
mesmo no meio da rua e foi para casa feliz por não ter que ficar com aquele
burro doente para si. Depois que todos foram embora, o burro abriu os olhos,
certificou-se de que ninguém estava o espiando, levantou-se e saiu caminhando
calmamente para bem longe. O burro ficou pensando: Como eu sou inteligente! Enfim estou livre daquele burro e o burro pensou a mesma coisa.
- Aquele burro
nunca entendeu a minha inteligência. Eu poderia ter feito tanta coisa mais
inteligente para ele!
E assim se
passaram muitos anos, muitos mesmo. O burro teve muitos filhos, todos burros e
o burro também teve muitos filhos, todos inteligentes. Quando os filhos do
burro passavam por um burro sempre diziam: “Olha lá o burro”! E os filhos do
burro pensavam a mesma coisa sobre os burros!
Friburgo/2015
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