Sou mono-alguma-coisa. Não acredito que
haja céu e inferno. Creio que haja algum lugar para onde a gente vai quando
morre. Se iremos para o inferno ou para o paraíso, penso que a gente é que vai se
sentir em um lugar ou em outro. Morrendo, eu posso chegar a algum lugar e supor
que aquilo seja o “céu” ou o “inferno”, não me preocupo como vai ser, assim
como não me preocupo quando vou conhecer uma nova cidade, outro país ou outro
mundo. Só suponho que seja um lugar diferente. Posso sair do Brasil, chegar à
Suécia e achar aquele lugar muito chato, apesar de ser um lugar legal à beça e
vice-versa. Posso sair da Bahia, ir para o sul do país e achar o frio de lá um
verdadeiro inferno e vice-versa. Posso ir para o oriente médio e achar aquela
maluquice toda, um paraíso e vice-versa. Vida e morte, céu e inferno, quem faz
sou eu.
Mas onde afinal entraria Deus nessa
minha particular estória? Deus é mais ou menos a compreensão do que eu possa
realizar entre o meu céu e meu próprio inferno. Acho que este é o grande truque
d’Ele. Permitir-me resolver o que é Céu, Inferno, Paraíso ou, ou o Quê? – Sei
lá. É igual um livro que você tem que ler até o final para saber como acaba.
Quem termina com quem. Se você termina com Deus ou com o Diabo, mas há de se
considerar que talvez o diabo não seja tão feio como parece.
Obviamente, não aposto minhas fichas no diabo,
mas de certa forma, como sou curioso, quem sabe... Vê-lo cara a cara seria ou
será uma experiência a mais, depois da minha morte. – Nunca se sabe -.
O diabo talvez nem tenha chifres, quem
garante?
Pensando aqui, de madrugada, sozinho:
Têm-se medo de assombração, de fantasma, a gente sempre tem medo de que algum
amigo ou um parente apareça depois de morto, mas, para nos fazer o que? Levar-nos
para onde eles estão? Se eles estão no céu, seria uma graça que eles
aparecessem e nos levassem para lá. Eu nunca tive medo de um estranho aparecer,
afinal, se não sei quem é esse estranho então não vou julgá-lo e ao não julgá-lo,
pode ser que ele não me julgue também.
Nem céu nem inferno têm mapa. É uma
viagem particular na qual a única certeza é de que não possui mão dupla. Morrer
é uma viagem só de ida, sem nunca se saber pra onde somos levados já que não
somos nós quem dirige pela estrada. Vamos e vamos e vamos até compreendermos o
conceito de infinito, até entendermos o que significam duas palavras básicas:
eternidade e atemporal. Acho que é isto Deus dignifica simplesmente essas duas
palavras. Quanto ao resto... Haja ciência, religião ou credo que possa explicar
a mim qual a diferença entre céu, inferno. Deus e o diabo... Acho que todo
mundo acaba indo pro mesmo lugar, talvez em bairros diferentes. A gente é que
não sabe em qual lugar à mesa vai sentar-se para finalmente compreender o que são
as estrelas que brilham no céu, ou porque às vezes a gente morre e volta a ser
estrela, antes de saber nada sobre Deus nem sobre o diabo. Por via das dúvidas
escrevo apenas um com letra Maiúscula.
“Eis o mistério da fé”.
Maio/2014
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