domingo, 17 de julho de 2016

Não escrevo

Só não escrevo quando ao adormecer, desisto
Só não penso nela quando evito me desesperar
Só não telefono quando creio ser prudente esperar
Só não a procuro quando tenho dúvidas

Em compensação 
Não quero a chave de volta
Não quero que ela me esqueça
(Não vá para o Chile!)

Sou assim, gosto muito dela
Tanto que acho normal o que sinto
Quando ela me telefona
Quando o desespero passa
Quando ela me procura
Quando olho o presente que comprei
E que espera quieto e calmo

Ela é a minha segunda pessoa
O futuro que imita o presente
Aliás, imita os dois presentes
O tempo presente e o presente que comprei
E quando suponho que ela ainda possui a chave
Não de onde eu moro, mas, a chave de mim.
Ela se torna então a minha primeira pessoa.

 02/03/10





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