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Só não
escrevo quando ao adormecer, desisto
Só não penso nela
quando evito me desesperar
Só
não telefono quando creio ser prudente esperar
Só não a
procuro quando tenho dúvidas
Em
compensação
Não quero a
chave de volta
Não quero
que ela me esqueça
(Não vá para
o Chile!)
Sou assim, gosto
muito dela
Tanto que acho
normal o que sinto
Quando ela
me telefona
Quando o
desespero passa
Quando ela
me procura
Quando olho o
presente que comprei
E que espera
quieto e calmo
Ela é a
minha segunda pessoa
O futuro que
imita o presente
Aliás, imita
os dois presentes
O tempo presente e
o presente que comprei
E quando
suponho que ela ainda possui a chave
Não de onde
eu moro, mas, a chave de mim.
Ela se torna
então a minha primeira pessoa.
02/03/10
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Há quem invente coisas realmente importantes, eu só invento estórias, crio lembranças que nunca existiram, normalmente acompanhado pelo silencio e uma ou outra garrafa de stolichnaya
domingo, 17 de julho de 2016
Não escrevo
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