A menina nasceu bonitinha. Agora está
bonitona
A menina é muito educada apesar do gênio
forte
O seu carinho é muito gostoso
E eu gosto de contar estórias pra ela
Vivo inventando coisas pra gente fazer
junto
Agora estamos na fase do campeonato
De jogo de damas – por enquanto tá empatado
-
A cada dia ela me deixa mais orgulhoso
Com seus novos aprendizados e
descobertas
Fico feliz quando os olhinhos dela
brilham
Daqui a pouco, já, já ela vai ter sua
própria vida
E eu não serei necessário
Nem pra jogar damas com ela
O tempo corre e a gente não acompanha
Quando vê ele escorregou como areia fininha
Que o vento logo se encarrega de levar
embora
E assim segue a vida nesse moto-contínuo
Criamos, eu e ela um código particular
Que nem lembro direito como funcionava
Mas o nome do código era M.A.
“Mini Adolescente” que ela usava para
mim
Quando estava em crise existencial
(Isso lá pelos dez, onze anos de idade)
Desta forma a gente nunca se desentendia
Ela acabava sempre colocando
A responsabilidade de nossas divergências
Na sua pré-adolescência
Eu sei lá onde ela ouviu aprendeu este
termo
Engraçado que agora a gente nem usa mais
M.A.
Ele já faz parte do passado
Agora ela já se considera uma futura
adulta
Acho que vou ligar pra ela e lhe propor
Esse novo código: F.A.
Parece que estou vendo o rostinho da
minha neta, Alice me recriminando, mas depois rindo junto comigo:
“Ai, vôoooo, lá vem você com essas suas
ideias malucas, de novo, né?!!!” F.A. - Onde já se viu?!
2016
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