terça-feira, 26 de julho de 2016

A menina

A menina nasceu bonitinha. Agora está bonitona
A menina é muito educada apesar do gênio forte
O seu carinho é muito gostoso
E eu gosto de contar estórias pra ela
Vivo inventando coisas pra gente fazer junto
Agora estamos na fase do campeonato
De jogo de damas – por enquanto tá empatado -
A cada dia ela me deixa mais orgulhoso
Com seus novos aprendizados e descobertas
Fico feliz quando os olhinhos dela brilham
Daqui a pouco, já, já ela vai ter sua própria vida
E eu não serei necessário
Nem pra jogar damas com ela
O tempo corre e a gente não acompanha
Quando vê ele escorregou como areia fininha
Que o vento logo se encarrega de levar embora
E assim segue a vida nesse moto-contínuo
Criamos, eu e ela um código particular
Que nem lembro direito como funcionava
Mas o nome do código era M.A.
“Mini Adolescente” que ela usava para mim
Quando estava em crise existencial
(Isso lá pelos dez, onze anos de idade)
Desta forma a gente nunca se desentendia
Ela acabava sempre colocando
A responsabilidade de nossas divergências
Na sua pré-adolescência
Eu sei lá onde ela ouviu aprendeu este termo
Engraçado que agora a gente nem usa mais M.A.
Ele já faz parte do passado
Agora ela já se considera uma futura adulta
Acho que vou ligar pra ela e lhe propor
Esse novo código: F.A.
Parece que estou vendo o rostinho da minha neta, Alice me recriminando, mas depois rindo junto comigo:
“Ai, vôoooo, lá vem você com essas suas ideias malucas, de novo, né?!!!” F.A. - Onde já se viu?!

2016

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