terça-feira, 5 de julho de 2016

Ser-me breve


Ser-me breve
Sem mínima intenção de desatar
Mesmo na sua semínima presença
Os colchetes que lhe abro, do vestido

E que se tornam semicolcheias
Entre meus dedos de artista.

Você com-fusa, ou semi-confusa,
Sincopada, ou em contratempo

Uma nota musical
Entre minha melodia
Eu, dedilhando sua partitura
Você, musa-música
Eu, seu intérprete.
Ouvindo sua musica, muda

Você muda de tom, entre os sons
Do seu vestido o qual
Sem dó, arranco, mas
Que o tempo me ensinou a esperar
Suas menos pausas.
E você também nota, nota após nota
As pausas da minha respiração
E anota a síncope do meu coração
Que bate descompassado,
Sem tempo para esperar
A próxima nota até
Que você acorde
Num acorde perfeito

Quem sabe eu tocando sozinho teu corpo
Quem sabe eu sentindo você num Bach*
Só música, pelo ambiente, num boteco.
Que nada mais é do que
Um duo de corpos.
Onde os sons são só “êsses”
E os “ésses” são só música.

Acho que é por aí que a coisa funciona.
Hoje não há concerto
Não há conserto para esse silêncio “fermático”.
Mas ainda há de haver qualquer, ainda que mínima
Alguma partitura em branco esperando por ser escrita Senão...
Nunca mais haveria o som
E no tempo de um descompasso
Na fermata sobre a pausa
Eu cantaria um eterno refrão:

Parece que me dizem, te amo...
(Marias).


Friburgo, inverno  – 2015.




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