terça-feira, 5 de julho de 2016

Pra mim ele morreu

Já ouviu a seguinte frase? “Pra mim ele morreu.”
É bem assim mesmo: A gente não morre.
A gente morre para os outros, assim como,
A gente nasce para os outros.
Como amar alguém que não nasceu?
Que não nasceu para você;
Como deixar de amar uma pessoa
Que para você não morreu?
Este é o truque da vida,
A trapaça do amor,
A consequência da fé.
         Segundo os Chineses, você só morre quando a última pessoa que se lembra de você, morre. Isto é interessante. Interessante e óbvio, afinal, Elvis vai morrer junto comigo quando eu morrer, mas permanecerá vivo enquanto for lembrado por quem o ouvir. O Senhor Fernando de Moraes não só nasceu (garanto), como também morreu, mas ele nasceu para você? E a resposta é não!
        Prá encurtar a estória e economizar as palavras, ser ou não ser, depende só do ponto de vista de quem hoje é, mas amanhã pode também não mais ser.
        Portanto, querida, é mais importante que você não morra para que então eu sobreviva. Eu posso sobreviver a muita coisa, mas não a morrer dentro de você.       
        ...Quebra esse galho, não morre não. Deixa essa parte pra mim. Você vivendo é a única forma de eu não morrer nunca, ou pelo menos de eu só morrer quando você também morrer. Aí a gente morre junto.
Como previsto no truque da nossa vida,
Como planejado na trapaça do nosso amor,
Incrustado na eternidade resgatado pela nossa fé.


Abril de 2012

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