quinta-feira, 14 de julho de 2016

Oi


São sete e meia da manhã.

Eu ainda não dormi, porém estou com a presença
de sua ausência incrustada em mim.

Ainda que sem ter mais direito
Ainda que sem mais tempo
Mesmo que sem nenhuma virtude
Nada nem ninguém me impedem de escrever.

Não digo que amo você, escrevo.
Sem culpa, sem passado, sem futuro.
Escrevo o amor apenas em palavras lidas.

Posso escrever sem provar nada.
Posso não provar, sentindo tudo.
Posso não beijar você
Mas me permito sentir vontade.
Do beijo, tanto quanto
De amar-lhe como há décadas amo.
Tudo sem pedir-lhe que acredite.

Posso morrer sem mais amar
Já que todo o amor que eu tinha, amei-lhe.

Posso ainda escrever
Sobre o amor amado
Tão bem amado amor.
Infinito, eterno.

Posso morrer sem nunca mais amar
Não posso morrer sem nunca mais escrever
Sei lá...
Estou escrevendo...
Estou vivo.
Quanto ao restante acho que vou sonhar...

   10/08/09




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