Não há fé que valha
Não
há medicina que cure
Não
há razão que explique
Não
há sol que esquente
Não
há sal que tempere.
Não
há língua que lamba
Não
há boca que coma
Não
há garganta que engula
Não
há anestesia que adormeça
Não
há lembrança que volte.
Não
há tempo que passe “leeeento”
Não
há música que não traga saudade
Não
há tarde pra tomar sorvete
Não
há noite perfeita
Não
há lua que alumie
Não
há cama que esquente.
Não
há sono tranqüilo
Não
há sorriso bonito
Não
há jantar com vinho
Não
há mão para entrelaçar
Não
há corpo para encostar
Não
há casa pra onde voltar.
Não
há bobagens a serem ditas
Não
há dia dos namorados
Não
há noites com sol
Não
há café da manhã
Não
há o que deva ser escrito.
Nem
sonhado nem querido.
Nem
rascunhado no papel
Nem
remendado nem cerzido
Nem
dito e nem rimado
Nem
falado nem pensado
Nem
cuspido nem escarrado
Benzido
ou excomungado.
Não
enquanto nessa boba vida
Não
houver um grande amor
Bem
grande mesmo
Até
disfarçado de outra coisa
Disfarçado
de uma esperança
Morando
dentro de outro amor.
Julho/2014
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