domingo, 3 de julho de 2016

Não há

Não há fé que valha
Não há medicina que cure
Não há razão que explique
Não há teoria que convença
Não há sol que esquente
Não há sal que tempere.

Não há língua que lamba
Não há boca que coma
Não há garganta que engula
Não há anestesia que adormeça
Não há lembrança que volte.

Não há tempo que passe “leeeento”
Não há música que não traga saudade
Não há tarde pra tomar sorvete
Não há noite perfeita
Não há lua que alumie
Não há cama que esquente.

Não há sono tranqüilo
Não há sorriso bonito
Não há jantar com vinho
Não há mão para entrelaçar
Não há corpo para encostar
Não há casa pra onde voltar.

Não há bobagens a serem ditas
Não há dia dos namorados
Não há noites com sol
Não há café da manhã
Não há o que deva ser escrito.
Nem sonhado nem querido.

Nem rascunhado no papel
Nem remendado nem cerzido
Nem dito e nem rimado
Nem falado nem pensado
Nem cuspido nem escarrado
Benzido ou excomungado.

Não enquanto nessa boba vida
Não houver um grande amor
Bem grande mesmo
Até disfarçado de outra coisa
Disfarçado de uma esperança
Morando dentro de outro amor.



Julho/2014

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