Imaginemos a coisa
acontecendo da seguinte maneira:
- O “Rei” não se admite ficar no mesmo patamar de
seus súditos, e se recusa a gravar a vinheta de natal para a Globo. – Eu não
acharia nada demais, caso isto acontecesse, afinal, quem pode, pode. Mas não
foi assim que aconteceu. O Rei declarou que não poderia cantar de costas para
aqueles a quem ele idolatrava.
Nunca tive motivo para
escrever em defesa de Roberto Carlos. Nunca houvera sido necessário, mas desta
vez sinto-me na obrigação de render-me não sei bem se a ele especificamente,
mas à sua atitude. Isto é coisa de gente que dá valor à gente e que de certa
forma, mesmo andando de jato particular consegue ser gostado por quem anda de
ônibus e que sabe ler pouco. Talvez por isto suas músicas não sejam compreendidas
apenas por filósofos, sociólogos, historiadores. Quem ouve Roberto Carlos não
sabe o que é metáfora simplesmente porque não precisa saber o que é isto.
Quando ele escreve que está triste por ter perdido um amor, ou feliz por ter
encontrado um, todo mundo sente na pele e no coração o que ele quer dizer.
Quando ele sentiu saudade do Caetano Veloso escreveu “Debaixo dos caracóis dos
seus cabelos” e nenhum professor de português percebeu que ele falava da
amizade. E aquilo não era metáfora. Só vieram a saber do que se tratava quando
Ele quis que os outros soubessem. E disse isto ao Caetano: Essa música eu fiz
quando senti saudade de você.
Roberto nunca escreveu
contra governo, aliás, ele nunca escreveu contra nada, só a favor. Ele podia
até ser a favor de algumas pessoas que eram contra alguma coisa, mas isto fica
pra outra ocasião.
Não quero e nem vou me
estender. Só queria mesmo deixar registrado o quanto senti vontade de tê-lo
admirado um pouco mais, um pouco antes. Mas sempre é tempo de se reconhecer que
um Rei não se faz por um título que lhe outorgam, mas por atitudes que lhe
enobrecem. Eu nunca soubera que, sem me dar conta, ouvi durante toda a minha
vida músicas simples, cantadas por uma pessoa simples e a quem eu não sabia por
que o chamavam de Rei. Eu que sequer me considerava seu súdito, mudei de idéia.
E depois disto só me
cabe uma frase: “Viva a monarquia!”
|
Roberto Carlos foi aplaudidíssimo pelo
elenco da TV Globo ao fazer uma "reclamação" durante a gravação da
vinheta de fim de ano da emissora, no sábado, no Rio. Ao entrar no cenário do
Projac e se dar conta de que os artistas ficariam atrás dele, em degraus, o
Rei disse para o diretor Jayme Monjardim: "Isso não tá certo, bicho! Eu vou cantar de costas para todos esses
meus ídolos?!". A gritaria foi geral. (Folha de São Paulo, 08 de
novembro de 2011).
|
|
|
|
|
Nenhum comentário:
Postar um comentário