Não considerem as coisas que eu escrevo como
referências de leitura ou sequer de filosofia porque não são. O que escrevo é apenas o subproduto da insônia, da ausência de não ter com quem conversar, aí
vira texto escrito.
Não me levem a sério, nem me levem a mal, mas, levem-me
como palavras que flutuam que por acaso façam você chorar agora em público,
lendo, sem ter vergonha de chorar pensando que alguém é tão simples que possa
fazer você se despir no meio da rua e gritar qualquer coisa que lhe venha à cabeça.
Por favor, não me levem
a sério, eu não mereço. Eu nem sei se
mereço ser lido, mas caso eu seja lido por vocês, que tal tentar fazer algo
diferente como sair dançando pela rua, cantando pela calçada, e se ao acaso
encontrar um mendigo, em vez de dar-lhe uma moeda oferecer-lhe a mão e sair
dançando com ele, Garanto que ninguém irá entender, nem ele porque ninguém está
preparado para isto.
Exercitar a loucura é a
coisa mais sensata que uma pessoa é capaz de fazer. Caso não consiga exercitar
sua loucura, você ainda tem muito que aprender.
Sabe para que servem as
regras? Para serem quebradas.
Garanto que já fiz isso
e a sensação é excelente. Abraçar um mendigo, colocar nos ombros dele meu
paletó, tirar a minha gravata e engatá-la no pescoço dele. Ele simplesmente
começou a dançar e eu fui para casa sem gravata e sem paletó enquanto ele fazia
peripécias com o brinquedo que eu o havia dado. Ele se transformou de mendigo
em criança por causa de eu ter me despido de coisas que para mim nem eram
importantes e ele ficou lá dançando feliz como não sei quando em outra vez foi.
Ele era um mendigo de gravata e enquanto de repente começou a chover... Eu
também comecei a dançar sem motivo. Dançamos, nos abraçamos e nos beijamos. Cheguei
a casa de madrugada com sapatos na mão, sem paletó sem camisa, sem gravata, só de cuecas. Eram umas duas
horas da manhã. Eu fui me largando pelo caminho.
Vivi uma felicidade
ímpar.
Como a loucura nos
engrandece!
2001
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