domingo, 3 de julho de 2016

Não considerem

Não considerem as coisas que eu escrevo como referências de leitura ou sequer de filosofia porque não são. O que escrevo é apenas o subproduto da insônia, da ausência de não ter com quem conversar, aí vira texto escrito.
Não me levem a sério, nem me levem a mal, mas, levem-me como palavras que flutuam que por acaso façam você chorar agora em público, lendo, sem ter vergonha de chorar pensando que alguém é tão simples que possa fazer você se despir no meio da rua e gritar qualquer coisa que lhe venha à cabeça.
Por favor, não me levem a sério, eu não mereço.  Eu nem sei se mereço ser lido, mas caso eu seja lido por vocês, que tal tentar fazer algo diferente como sair dançando pela rua, cantando pela calçada, e se ao acaso encontrar um mendigo, em vez de dar-lhe uma moeda oferecer-lhe a mão e sair dançando com ele, Garanto que ninguém irá entender, nem ele porque ninguém está preparado para isto.
Exercitar a loucura é a coisa mais sensata que uma pessoa é capaz de fazer. Caso não consiga exercitar sua loucura, você ainda tem muito que aprender.
Sabe para que servem as regras? Para serem quebradas.
Garanto que já fiz isso e a sensação é excelente. Abraçar um mendigo, colocar nos ombros dele meu paletó, tirar a minha gravata e engatá-la no pescoço dele. Ele simplesmente começou a dançar e eu fui para casa sem gravata e sem paletó enquanto ele fazia peripécias com o brinquedo que eu o havia dado. Ele se transformou de mendigo em criança por causa de eu ter me despido de coisas que para mim nem eram importantes e ele ficou lá dançando feliz como não sei quando em outra vez foi. Ele era um mendigo de gravata e enquanto de repente começou a chover... Eu também comecei a dançar sem motivo. Dançamos, nos abraçamos e nos beijamos. Cheguei a casa de madrugada com sapatos na mão, sem paletó sem camisa,  sem gravata, só de cuecas. Eram umas duas horas da manhã. Eu fui me largando pelo caminho.
Vivi uma felicidade ímpar.
Como a loucura nos engrandece!
2001


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