Música
é música, e pronto.
Pode ser brega, poder “Cult” e pode ser
só música.
Não precisa
ser mais nada. Além disso. Ela sempre vai além do que se previra.
Música pode ser em teatro, em feira de
domingo comendo pastel, em elevador pensando na reunião em motel, só
pensando... Pode ser assoviada, pode ser ridícula, e música pode ser tão sua
que só você entenda porque a está assoviando.
Música é uma bobagem séria, profunda ou
insignificante, ouvida num rádio de pilha, quando sem se notar se esquece do tempo
e o tempo é o tempo da música. Dá vontade de dançar, dá vontade de chorar, dá
vontade de rir, dá vontade de ser criança e dá vontade de voltar no tempo
lembrando-se daquela namorada que a gente nunca namorou, mas que a tal namorada
é a música que a gente pensou que fosse o amor. O amor nos dribla em música, e
riem da gente tanto a música quanto o amor.
Não se desaprende nunca a andar de
bicicleta nem a nadar, aprende-se a cair da bicicleta e no mar aprende-se a não
temê-lo. Assim, voltamos ao mar, à bicicleta de novo, e sem que percebamos
estamos lá assoviando aquela melodia antiga que nos ensinou a nadar e nos
equilibrarmos em duas rodas.
Sem que queiramos ou percebamos, estamos
ali na calçada, fazendo um monumental bico, com a língua entre os dentes e
ridiculamente assoprando como a vida nos quer “des-ridicularizados” pelo amor e
sem medo de cair seja da bicicleta, seja de mergulhar no mar ou de se
desenganar. Seja a música dançante como um bolero, calma como um samba canção, seja sofrida como um tango, mas
primordialmente nos remeta aos lugares que sem ela seria impossível reviver
nossa própria vida. Música é música e
pronto!
“Música
é o que se ouve de dentro da gente, não de fora.”
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