terça-feira, 5 de julho de 2016

Tenho problemas

Tenho problemas com o amor.
Até consigo ficar durante algum tempo sem amar, mas depois acabo voltando para meus antigos amores de gente, de música e de poesias. Não acho que os meus amores antigos sejam os meus preferidos, mas desde que acompanhados de um pouco de boas lembranças, e umas, tais saudades, nunca me serão preteridas. Nunca consegui chegar a uma conclusão sobre isto, só sei que é bom tanto quando fico um tempo sem amar e o quanto é voltar ao estado de apaixonite. A apaixonite, sei que não existe, mas também o estado de desapaixonite não existe. Na verdade invento estes termos, seguramente quando estou amando. Enquanto [...]eu só usaria palavras que existem.

Tenho problemas com o amor.
Até consigo ficar durante algum tempo sem amar, mas depois acabo voltando para meus antigos amores de gente, de música e de poesias. Não acho que os meus amores antigos sejam os meus preferidos, mas desde que acompanhados de um pouco de boas lembranças, e umas, tais saudades, nunca me serão preteridas. Nunca consegui chegar a uma conclusão sobre isto, só sei que é bom tanto quando fico um tempo sem amar e o quanto é voltar ao estado de apaixonite. A apaixonite, sei que não existe, mas também o estado de desapaixonite não existe. Na verdade invento estes termos, seguramente quando estou amando. Enquanto [...]eu só usaria palavras que existem.
Não sou amador de ofício. Sou apenas necessitado de amar como algum outro termo que termine em ar, não necessariamente um verbo como escrever nem sentir ou supor. Sou apenas dependente de amar como se amar fosse uma droga [que droga!]. Amar para mim não é verbo e sim substantivo. Amor pode ser um substantivo abstrato. Amar é um substantivo concreto e impluralizável. Amor de mãe é singular, amor entre homem e mulher é particular, o amor que eu sinto é implural. Amo amar e não me contenho dentro do que sinto. Às vezes acordo de madrugada com a sensação de que estou amando sei lá o quê, outras vezes paro de repente no meio da rua para ficar olhando um pássaro, e até chego a sentar-me num banco só para ficar amando o que normalmente as pessoas chamam de vida e que eu às vezes chamo de existência, mas por ora acho que é só permanência.

Tenho problemas com a escrita.
Até consigo ficar durante algum tempo sem escrever, mas depois acabo voltando aos textos e às palavras antigas. Tudo movido entre uma dose e outra de amores e de vodkas.


Junho/2014

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