sábado, 23 de julho de 2016

Coisas

A gente acaba um dia achando que sabe sobre uma série de coisas, história, matemática, leis. Não é mesmo? E a gente acaba também supondo que sabe sobre o que é o amor, sobre o que é o amar. Pois é... Esta coisa chamada amor não nos permite saber o que ela é, não nos dá a menor chance de termos experiência sobre ela. Ela nos leva, nos leva, nos leva, e a gente supõe que a sabe só porque um dia já amou, mas não é assim que funciona.  O amor é mutável. Nunca se pensa que se vai poder amar de novo e mais e melhor. O amor não faz questão nenhuma que se pense isto sobre ele. Ele deixa o coração da gente congelar, deixa a gente, quietinho e quando menos se espera, ele volta com do jeito mais ingênuo deste mundo pegando-nos despreparados. Ele se reinstala e fica ali como que se divertindo pela nossa inexperiência. A gente vai dormir pensando que desta vez já entendeu como ele age, pura ilusão. Como um vírus despertado ele faz a gente sonhar de novo, faz a gente querer de novo, faz a gente se iludir de novo. O que deve ser esta coisa chamada amor, onde será que ela fica dentro da gente, que adormece e de repente volta a incomodar como uma dor num membro amputado? Que função teria então o amor? Fazer-nos reviver, se repete, mas nunca da mesma forma nem com a mesma intensidade e traz-nos de volta (a)à vida com a vitalidade de uma Fênix? Não sei. Só sei que está delicioso senti-lo dentro de mim, quando eu acreditava que meu coração já era um membro mutilado. E quer saber? Não dói nadinha, como se nunca houvesse havido antes, sequer um antigo coração.


17/11/09

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