A gente acaba um dia achando que sabe sobre uma série
de coisas, história, matemática, leis. Não é mesmo? E a gente acaba também
supondo que sabe sobre o que é o amor, sobre o que é o amar. Pois é... Esta
coisa chamada amor não nos permite saber o que ela é, não nos dá a menor chance
de termos experiência sobre ela. Ela nos leva, nos leva, nos leva, e a gente supõe
que a sabe só porque um dia já amou, mas não é assim que funciona. O amor é mutável. Nunca se pensa que se vai
poder amar de novo e mais e melhor. O amor não faz questão nenhuma que se pense
isto sobre ele. Ele deixa o coração da gente congelar, deixa a gente, quietinho
e quando menos se espera, ele volta com do jeito mais ingênuo deste mundo pegando-nos despreparados. Ele se reinstala e
fica ali como que se divertindo pela nossa inexperiência. A gente vai dormir
pensando que desta vez já entendeu como ele age, pura ilusão. Como um vírus despertado ele faz a gente
sonhar de novo, faz a gente querer de novo, faz a gente se iludir de novo. O
que deve ser esta coisa chamada amor, onde será que ela fica dentro da gente,
que adormece e de repente volta a incomodar como uma dor num membro amputado? Que
função teria então o amor? Fazer-nos reviver, se repete, mas nunca da mesma
forma nem com a mesma intensidade e traz-nos de volta (a)à vida com a vitalidade
de uma Fênix? Não sei. Só sei que está delicioso senti-lo dentro de mim, quando
eu acreditava que meu coração já era um membro mutilado. E quer saber? Não dói
nadinha, como se nunca houvesse havido antes, sequer um antigo coração.
17/11/09
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