domingo, 3 de julho de 2016

Navegar é preciso


“Navegar é preciso, viver não é preciso”.

Nestas duas frases, nem todos percebem que “preciso” tem o sentido de precisão e não de necessidade.
Particularmente, acho de uma imensa beleza a colocação sobre a imprecisão da vida, já que nesta está contido o amor, a fé, a esperança e tantas outras coisas que de tão imprecisas não dão segunda chance à vida. E navegar, será que é mesmo preciso? Há marés, há tormentas, há tempestades, há tanta coisa e como encontrar precisão ao se navegar? Esta é a alma portuguesa. Esta é a verdadeira alma da poesia portuguesa. “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Escrever me é tão necessário quanto viver, ainda que impreciso.
É-me necessário escrever ainda que ninguém venha a ler-me.
O livro não lido, ainda assim continua a ser livro.


“Ler é preciso, escrever não é preciso”.

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