“Navegar
é preciso, viver não é preciso”.
Nestas
duas frases, nem todos percebem que “preciso” tem o sentido de precisão e não
de necessidade.
Particularmente,
acho de uma imensa beleza a colocação sobre a imprecisão da vida, já que nesta
está contido o amor, a fé, a esperança e tantas outras coisas que de tão
imprecisas não dão segunda chance à vida. E navegar, será que é mesmo preciso?
Há marés, há tormentas, há tempestades, há tanta coisa e como encontrar
precisão ao se navegar? Esta é a alma portuguesa. Esta é a verdadeira alma da poesia
portuguesa. “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Escrever me é tão
necessário quanto viver, ainda que impreciso.
É-me
necessário escrever ainda que ninguém venha a ler-me.
O
livro não lido, ainda assim continua a ser livro.
“Ler
é preciso, escrever não é preciso”.
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