Você me amar seria pedir demais ao amor. O amor não
resistiria a este pedido. O meu amor é completo, não precisa de complemento.
Sei que é estranho escrever isto, mas é uma coisa muito particular. Andar pela
calçada amando sem precisar ser amado. As calçadas esburacadas, os tombos
prováveis, eu às vezes rindo sozinho, às vezes soluçando e respondendo aos
outros que apenas estou engasgado, e é mesmo, engasgado. Pessoas passam por mim
e perguntam-me - você quer um copo de água, você responde que não, mas não diz
que precisa de um copo de amor... E a calçada continua esburacada. Amar é bom,
mas ser amado é uma coisa tão diferente quando você passa pela rua e não
percebe outras mulheres, só porque você é amado por uma. Sei que isto é
maluquice, mas que m disse que sou normal? Quem me conhece de verdade sabe que
sou louco, quem me conhece pouco acha que eu sou normal, quem me lê não sabe se
eu sou louco ou normal, enquanto eu mesmo nada sei de mim.
Amar - Quem inventou
isso? Já pesquisei, e não tenho certeza, mas foi algo que inventaram, é sério. Antigamente
ninguém se casava por amor. Talvez Shakespeare tenha sacado isso porque morrer
de velhice é muito chato. Morrer de amor! Que legal. É dessa forma que a morte
passa a fazer sentido. O inatingível, o sonho. Suponho que esse cara (Shakespeare)
tivesse uma visão que ninguém até hoje teve: Ser ou não ser. Como se é quando
não se existe?
Romeu e Julieta começam
nos trazendo o amor e com ele a morte. Pura ironia, quando deveria ter sido o
contrário.
No fundo, não acho tão
ruim assim alguém um dia ter inventado o amor - nem a Coca-Cola- afinal no
epílogo os dois podem nos matar.
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