quarta-feira, 6 de julho de 2016

Você me amar

        Você me amar seria pedir demais ao amor. O amor não resistiria a este pedido. O meu amor é completo, não precisa de complemento. Sei que é estranho escrever isto, mas é uma coisa muito particular. Andar pela calçada amando sem precisar ser amado. As calçadas esburacadas, os tombos prováveis, eu às vezes rindo sozinho, às vezes soluçando e respondendo aos outros que apenas estou engasgado, e é mesmo, engasgado. Pessoas passam por mim e perguntam-me - você quer um copo de água, você responde que não, mas não diz que precisa de um copo de amor... E a calçada continua esburacada. Amar é bom, mas ser amado é uma coisa tão diferente quando você passa pela rua e não percebe outras mulheres, só porque você é amado por uma. Sei que isto é maluquice, mas que m disse que sou normal? Quem me conhece de verdade sabe que sou louco, quem me conhece pouco acha que eu sou normal, quem me lê não sabe se eu sou louco ou normal, enquanto eu mesmo nada sei de mim.
          Amar - Quem inventou isso? Já pesquisei, e não tenho certeza, mas foi algo que inventaram, é sério. Antigamente ninguém se casava por amor. Talvez Shakespeare tenha sacado isso porque morrer de velhice é muito chato. Morrer de amor! Que legal. É dessa forma que a morte passa a fazer sentido. O inatingível, o sonho. Suponho que esse cara (Shakespeare) tivesse uma visão que ninguém até hoje teve: Ser ou não ser. Como se é quando não se existe?
         Romeu e Julieta começam nos trazendo o amor e com ele a morte. Pura ironia, quando deveria ter sido o contrário.

No fundo, não acho tão ruim assim alguém um dia ter inventado o amor - nem a Coca-Cola- afinal no epílogo os dois  podem nos matar.

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