quarta-feira, 6 de julho de 2016

A vida é uma assombração

A vida é uma assombração que me persegue
Quando eu penso que ela inexiste
Sem alarde reaparece, e por que será?
Cada vez que me imagino morrendo, lá vem uma vida nova
Pra eu imaginar como vai ser cuidar de um novo ser
Que na verdade é a continuação de mim
E assim eu vou percorrendo o caminho dessa maluquice
Na qual morrer ou nascer é apenas uma questão de tempo
Aí vem a certeza de que não morro nem morrerei
Engraçada esta coisa de saber-se perpétuo
Então começa tudo de novo
Lá vem a vida ao meu encontro
Do jeito que eu não esperava,
Do jeito que eu vou ter que reaprender fraldas
Ensinar criança a falar, ensinar criança a viver
(Se eu mesmo ainda nem aprendi a viver...)
E no final eu não morro, ainda que eu saiba a morte.
Ainda que eu não tenha medo de morrer
Também ninguém pode ter medo de nascer
E quem nasce de quem nasceu de mim merece minha presença
Não que eu queira viver muito
Mas quando é necessário,
Dá uma vontade danada de continuar vivendo.
Ontem achei que eu iria morrer
Hoje sinto que preciso viver
Nada como sentir que a vida tem valido a pena
Então, que venha e que valha esta nova vida
Para revigorar a minha velha vida.

Afinal...
Se morrer ou nascer é mesmo apenas uma questão de tempo
Renasço hoje aos cinqüenta e tais anos
Quanto ao resto basta permitir que esta nova vida aconteça
E que seja bem vinda.


(Dedicado ao Danilo, meu futuro neto)
Friburgo, 02/13



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