A vida é uma assombração que me
persegue
Quando eu penso
que ela inexiste
Sem alarde reaparece,
e por que será?
Cada vez que me imagino morrendo,
lá vem uma vida nova
Pra eu imaginar como vai ser
cuidar de um novo ser
Que na verdade é a continuação de
mim
E assim eu vou percorrendo o
caminho dessa maluquice
Na qual morrer ou nascer é apenas
uma questão de tempo
Aí vem a certeza de que não morro
nem morrerei
Engraçada esta coisa de saber-se
perpétuo
Então começa tudo de novo
Lá vem a vida ao meu encontro
Do jeito que eu não esperava,
Do jeito que eu vou ter que
reaprender fraldas
Ensinar criança a falar, ensinar
criança a viver
(Se eu mesmo ainda nem aprendi a
viver...)
E no final eu não morro, ainda
que eu saiba a morte.
Ainda que eu não tenha medo de
morrer
Também ninguém pode ter medo de
nascer
E quem nasce de quem nasceu de
mim merece minha presença
Não que eu queira viver muito
Mas quando é necessário,
Dá uma vontade danada de
continuar vivendo.
Ontem achei que eu iria morrer
Hoje sinto que preciso viver
Nada como sentir que a vida tem
valido a pena
Então, que venha e que valha esta
nova vida
Para revigorar a minha velha vida.
Afinal...
Se morrer ou nascer é mesmo apenas
uma questão de tempo
Renasço hoje aos cinqüenta e tais
anos
Quanto ao resto basta permitir
que esta nova vida aconteça
E que seja bem vinda.
(Dedicado ao Danilo, meu futuro neto)
Friburgo,
02/13
Nenhum comentário:
Postar um comentário