Obrigado por ter transformado o meu dia em música desde
quando acordei hoje. Foi em você que eu bebi a inspiração para escrever esta
música que coloquei no papel e pedi ao escritor que agradecesse com palavras o que
o músico não sabe escrever.
- E assim escreveu o escritor -
“Olhar para um papel que há pouco estava em branco e
agora está cheio de significados, cheio de sinais, enigmas não decifráveis por
quem o observa, mas que quem observa gosta de olhar e imaginar o que sejam.
Como seria o som daquilo que está no papel? Seria uma melodia triste, alegre,
pra onde levaria quem olha para o papel e onde estaria o som que o artista
colocou no papel e sequer é som. Será que seria uma valsa, será que seria pra
ouvir com a luz apagada, como saber do som que agora está cravado no papel e na
cabeça do artista? E a musa, quem terá sido a mulher que despertou o artista e
fê-lo escrever no papel a música que não era dele, era dela. Será que a música
se parece com a musa? Será que a musa da música é o que espera o artista? Será
que a musa se parece com uma valsa? Será que ela apareceria na janela pra ouvir
a música?
Há música no papel porque há musa. A musa no seu papel
de musa nem imagina que o artista a pensa, a transforma em música e se
transforma nela, se entregando ao papel no qual escreve e no papel de quem se
rende até que a musa olhe para o papel e suponha uma valsa e qual seja o seu
papel na música que ela sequer ouve, quem sabe dance abraçada ao papel em que
abraçada imagina a sua própria música, que nem precisa ser a música do papel.
Dança a musa sua música
Faz o seu papel abraçando o papel
Apaga a luz, gira, dança sua valsa.
Depois de tanto tempo ela se ama
E gira ainda mais sua valsa, a musa.
Ainda que só rabiscada num papel,
a música imaginada é a própria musa.”
(Assim
escreveu o escritor)
São Paulo, 05/11/09
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