quinta-feira, 14 de julho de 2016

Permitir-nos


Permitir-nos liberdade e confiança ao mesmo tempo é algo um tanto aflitivo, são duas coisas que não combinam direito.  Escrever às seis da manhã não é algo agradável, a não ser que seja extremamente necessário e só é extremamente necessário se a pena valer. Somadas estas coisas, escrever para você agora está sendo bom, necessário e um bom exercício de atenção e de carinho. Você dorme, provavelmente enquanto que os meus horários estão avessos aos seus, mas nada impede que eu esteja com você em palavras que apesar de não serem ditas podem ser escritas. Durma bem, acorde bem, este é o meu jeito desajeitado de lhe acarinhar, de me sentir próximo a você, sei lá, é meu jeito desarrumado de fazer as coisas que eu gosto de fazer. Não tenho muito jeito pra fazer algumas coisas. Nem sempre a omelete sai do jeito que eu queria nem o arroz fica no ponto certo, mas eu faço e gosto de fazer. Eu fico rindo quando as coisas não dão certo. Dizem os filósofos, não sei se é verdade, que as pessoas que conseguem rir de si mesmas são mais felizes. Estou rindo agora, por bobagens, que vivi hoje e por bobagens que não vivi. Como não ter conseguido atender às suas chamadas, mas tudo tem que acontecer, até o que não acontece tem que não acontecer, tem que existir. A ausência acontece enquanto a presença fica gravada num gravador telefônico. Engraçado supor que tudo o que não aconteceu, de alguma forma, aconteceu. A gente só não estava lá...


11/11/09


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