Há um amor inquieto que eu tenho visto em muitos
lugares onde olho e quando olho para algumas coisas, especialmente determinadas
fotos. Então o que eu nem acho que seja amor aparece e se diz amor e eu de
tanto não entender, paro, me reflito no espelho, me suponho amado ou a amar, isto,
por não entender nada sobre o que eu estou sentindo. Vejo através das fotos, em
tantos lugares o que não entendo e que por não entender acredito que seja amor.
Amor de apenas fotografias, mas que não me deixa em paz, que não sossega, parece
um rabisco que eu não consigo nunca passar a limpo. É o sonho que quando acordo
não sei se foi sonho, de tanto que pareceu real. Esse desassossego me mói e me remói.
As fotos que olho e revejo sei que sempre estarão no mesmo lugar, nas gavetas
onde também ficarão as tais palavras “tudojunto*”, escrito assim mesmo,
tudojunto. As fotos as palavras e os sentimentos até que outro alguém leia e
talvez consiga amar o que quase jaz na gaveta, calma e silenciosamente
adormecido aguardando por um novo, inesperado e substantivo futuro amor.
* ...“e era como o gosto de um monte de doce que a gente comia misturado e então eu e ela chamávamos de sabor de docedetudojunto, escrito assim mesmo: tudo junto”.
06/04/10
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