sábado, 2 de julho de 2016

Choro chorado



Chôro chorado parece título de música tocada por bandolim e violão. Pode até ser, mas neste meu caso de agora, não.
Chôro chorado é reler o que leio e que por acaso escrevi em momentos de não sei o que. Insônia, carência ou qualquer outra coisa regada à saudade e cachaça.
Choro chorado, caso fosse música seria bom de ser ouvido várias vezes como Pixinguinha. Chôro chorado pode ser qualquer coisa com a qual você se emocione, choro chorado pode ser uma foto antiga, um telefonema de filha que ligou para você, um telefonema de filho que não ligou para você. Chôro chorado vem de dentro e só acontece quando se está sozinho. É o chôro sincero que vem lá do fundo. É o chôro figadal.
O chôro de verdade tem que ter lágrimas e soluços, tem que sangrar lá dentro mesmo, o chôro chorado de verdade tem que deixar a boca seca, os olhos molhados e no final deixar o corpo inundado de querência de alguma coisa que faça o choro fazer sentido de ser parado de ter sido chorado.
Se existe escrevedor, sonhador, cantador, sanfoneiro, padre, prefeito, até governador, por que não chorador? Não precisa ser profissão. Basta ter coração, um motivo e coragem prá chorar como quando se nasceu vivedor.
Se a primeira coisa que se faz quando se nasce é chorar, porque desaprendemos isto quando crescemos?
Aprendemos a andar, a falar. Aprendemos a mentir quando desaprendemos a chorar.
“É tão difícil ficar sem você, o tem amor é gostoso demais”. Isso é coisa de quem escreve chorando, É coisa de “cabra macho”. É coisa de quem aponta o dedo pro outro cabra e fala: Tô chorando “mermo”, e daí?
Chôro chorado é assim, largado ao vento, se deixando ser chorado.

Eu chóro meu chôro
Engulo o meu chororô
E que se danem
Se eu escrevo meu chôro de forma errada.

2014

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