sábado, 2 de julho de 2016

E se não fosse hoje


E se não fosse hoje
Que eu estivesse com vontade de escrever
E se não fosse ontem
Que eu tivesse pensando nas palavras
E se não fosse hoje
Que eu estivesse assim
E se não fosse ontem
Que eu tivesse perdido o sono
E se não fosse hoje
Que eu encontrasse as rimas
E se não fosse ontem
Que eu tivesse precisado explicar
E se não fosse hoje
Que os pensamentos viessem
E se não fosse ontem
Que as lembranças voltassem

E se eu tivesse morrido ontem?
Não haveria o hoje para eu escrever
Nem o amanhã para que alguém lesse
(Ainda bem que escrevi agora)
E se a gente não envelhecesse?
E se a gente não crescesse?
E se a gente não morresse?
Ainda bem que alguéns fazem parte
De todos os meus ontens
Antes que se depare ante mim
O desacontecimento da vida
O desassossego de saber que posso ter sido culpado
Pelo crime que não cometi
Ou absolvido por ser desvairado.
Mas nada é sem valia na vida
Nem mesmo escrever hoje
Mesmo sem a certeza de que alguéns lerão
Em quaisquer amanhãs
Porém sempre há poréns.
Se alguéns estão lendo isto agora
Gostem ou não
Estou aqui rindo por não ter deixado
De escrever bobagens plurais

Durante os hojes que ainda me restam.

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