E se não fosse
hoje
Que eu
estivesse com vontade de escrever
E se não fosse
ontem
Que eu tivesse
pensando nas palavras
E se não fosse
hoje
Que eu
estivesse assim
E se não fosse
ontem
Que eu tivesse
perdido o sono
E se não fosse
hoje
Que eu
encontrasse as rimas
E se não fosse
ontem
Que eu tivesse
precisado explicar
E se não fosse
hoje
Que os
pensamentos viessem
E se não fosse
ontem
Que as
lembranças voltassem
E se eu
tivesse morrido ontem?
Não haveria o
hoje para eu escrever
Nem o amanhã
para que alguém lesse
(Ainda bem que escrevi agora)
E se a gente não envelhecesse?
E se a gente não crescesse?
E se a gente não morresse?
Ainda bem que alguéns
fazem parte
De todos os
meus ontens
Antes que se
depare ante mim
O
desacontecimento da vida
O desassossego
de saber que posso ter sido culpado
Pelo crime que
não cometi
Ou absolvido por ser desvairado.
Mas nada é sem
valia na vida
Nem mesmo
escrever hoje
Mesmo sem a
certeza de que alguéns lerão
Em quaisquer
amanhãs
Porém sempre
há poréns.
Se alguéns
estão lendo isto agora
Gostem ou não
Estou aqui
rindo por não ter deixado
De escrever
bobagens plurais
Durante os
hojes que ainda me restam.
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