Só a hora passa. O dia não passa as vontades não
passam, e o tempo fica longo demais, a hora de ela voltar custa tanto a chegar
e a vontade de dormir não chega. Só passa a fazer sentido se for para dormir
agarradinho com ela. A chuva não passa, o sol demora aparecer, quase tudo fica
adormecido, menos o que eu sinto. Só a hora passa, meu coração bate incansavelmente
por ela, supondo que o interfone irá me avisar que ela chegou, e eu
absolutamente apenas em pensamento me vejo abrir a porta para recebê-la e oferecer-lhe
o que tanto está guardado, quase transbordando em mim, mas só o relógio acusa a
hora que passa sem que nada dentro de mim passe, sem que a vontade passe e
apenas me reste escrever até que o sol nasça, que o dia retorne que eu espere
disfarçadamente como que sem me importar se o interfone irá tocar ou não, aí
pode ser que eu consiga dormir quando já for dia, quando o sol já estiver aqui
por perto. Aí pode se que eu durma com ela do jeito mais pleno, silencioso e
doce, de conchinha mesmo. E mais depois a gente pense juntos no que fazer para
o almoço ou com o que sobrar das horas depois, quando o tempo nem precisar ser mais
domingo.
31/11/09
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