A cada dia, para uma coisa que melhora outra piora. Se
melhora a presença, piora a necessidade, se melhora a vinda, a ida se
transforma em saudade que se instala, se é bom o beijo, piora a falta dele, se
melhora a cama piora o sofá e vice e versa. Tudo bem que seja sempre uma troca
justa, mas você fazer falta é cada vez mais diretamente proporcional ao que
estou sentindo. Há coisas para as quais não há troca. Carinho só se troca por
carinho, beijo só se troca por beijo, carícia só se troca por carícia, afago
por afago, toque por toque, abraço por abraço, sonhar junto, só quando o sonho
de um é o sonho do outro e se está agarradinho dormindo. Há coisas que não se
troca por nada. A música que se ouve junto, o escurinho da sala em pleno meio
dia, o café q a gente divide, até que o beijo da despedida se torne inevitável
não porque o queiramos, mas porque o relógio acusa que temos que nos separar. Talvez
sejamos obrigados a fazer uma viagem em lua de mel para que ninguém nos
encontre, para que não levemos o celular, para que ninguém saiba onde estejamos,
para que não tenhamos que dividir nada com ninguém e possamos então trocar tudo
o que temos um com o outro sem interferência de tempo nem de patrões, padrões
nem de filhos, que sejamos apenas par ou ímpar cada um ganhando uma vez e
perdendo outra. Possuindo e permitindo. Então, tudo melhora. Tudo fica
atemporal até que um de nós perca no par ou ímpar. O que seria uma perda justa,
enquanto que quem ganha não ganhará “do” outro, ganhará “o” outro.
(Você quereria Par ou ímpar?)
23/11/09
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