A tarefa de viver é dura, mas
fascinante (Ariano Suassuna)
A
tarefa de escrever é fascinante, mas árdua
A
tarefa de viver é incompreensível
A
tarefa de escrever é incomparável
A
tarefa de viver é irrevogável
A
tarefa de escrever é inesgotável
A
tarefa de viver é dia a dia
A
tarefa de escrever é noite a noite
A
tarefa de viver á irreversível
A
tarefa de escrever é impagável
A
tarefa de viver inclui toda vida
A
tarefa de escrever inclui cada amor
A
arte de viver é ter filhos
A
arte de escrever é cerzir palavras
A
arte de viver é ter um emprego
A
arte de escrever é não ter um emprego
Ao
vivedor, basta o acordar
Ao
escrevedor, basta o lápis
Ao
vivedor basta começarem as férias
Ao
escrevedor, basta ter um papel em branco
Ao
vivedor basta ter uma mulher
Ao
escrevedor, basta possuir todas as mulheres
Ao
vivedor basta ser um homem
Ao
escritor, há de se ser todos os homens
Quem
vive depende de muitas roupas
Quem
escreve, escreve nu
Quem
vive paga suas contas
Quem
escreve, escreve contos
Quem
vive é normal
Quem
escreve é atemporal
Quem
vive, pensa sonhos
Quem
escreve sonha realidades
Quem
vive acorda para ler
Quem
escreve, escreve sonhando
Para
acordar com a caneta na mão
Para
não ser ele mesmo
Para
contar mentiras
Que
se tornam verdades
Quando
quem vive, lê
Quando
quem lê, vive
Como
se fossem plenas verdades
Como
as de “Chicó e João grilo”.
Dia
dos pais, 2014
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