sábado, 2 de julho de 2016

Desculpe-me



Desculpe-me por eu saber chorar e por não ter vergonha disto. Sei que é meio sem graça chorar, mas por outro lado é tão necessário, aliás, é a primeira coisa necessária quando se nasce. Tenho chorado até em inauguração de supermercado. Ando assim, meio choroso. Talvez se tenha que ter muita coragem pra chorar, se bem que quando ninguém nos observa, fica mais fácil. Tenho lágrimas pra chorar e as uso por qualquer coisa, um dia desses, eu chorei porque era dia cinco de outubro. Sei lá, mas achei bom chorar porque era dia cinco de outubro. É difícil ser homem e chorar, mas eu não ligo pra isso, choro mesmo. Choro o choro chorado com sinceridade, do fundo dos meus olhos. E se você quer saber, sinto-me bem quando choro, Sinto-me mais homem, mais completo, menos hipócrita, menos insensível. Mas por que estou escrevendo que choro, porque estou carente de alguém que tem um nome, que tem um rosto, um olhar, alguém de quem eu sinto falta, ausência. Nem sei se é saudade, é algo que não sei o que é. Talvez eu chorasse menos se telefonasse pra ela, se ouvisse sua voz, se eu falasse pra ela a respeito do meu dia, mas isto não aconteceu nem acontecerá. Acho que no final as lágrimas secam, mas garanto que as que escorregaram pelo meu rosto valeram a pena. Hoje é outro dia: Onze de outubro. O ano? Dois mil e nove. Já chorei hoje, portanto agora, haja vida pra ser vivida!



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