Hoje estou meio “despalavreado”, não por falta de
palavras e sim por medo de mal usá-las, para lhe desejar bom dia, mas caso eu
estivesse mais palavreado, acho que todas as minhas palavras se resumiriam
mesmo em bom dia, se bem que no fundo eu quisesse fazer tanto mais...
Possivelmente eu lhe enviasse rosas, caso eu soubesse o seu endereço, talvez eu
ligasse pra você caso eu tivesse o seu número, possivelmente eu esperasse você
na porta do seu trabalho caso eu soubesse onde você trabalha e até quem sabe eu
a raptasse para passar o dia comigo escondidos ambos em algum lugar, talvez
longe, talvez perto, na minha casa, quem sabe... Mas tudo não passa de
reticências que vão permeando a minha imaginação enquanto procuro outras
palavras para substituir estas, como se eu pudesse substituir o que estou
sentindo. Vontade mesmo é a de esperar você na porta da faculdade, com um
ramalhete de rosas, pegar o seu celular e jogá-lo fora, raptá-la e trazê-la pra
minha casa e no dia seguinte ao acordarmos lhe dizer bom dia. Acho que isto
resolveria boa parte do que eu pretendo para o seu dia. Só depois eu iria
pensar no que restaria da vida, no que restaria do resto do mundo, provavelmente
eu torceria para que chovesse que faltasse luz, que o seu patrão inexistisse e
que eu não precisasse de palavras para desejar-lhe boa tarde. Que o meu olhar fosse
um olhar eterno de felicidade e de preferência com champanhe. Eu quereria que o
céu ficasse azul, que a gente pudesse cantar juntos aquela música que você
gosta, que depois a gente ficasse em silêncio, e que o dia custasse a acabar.
Mas nada disto é real. Não haverá flores, não haverá rapto algum, não haverá
telefonema, nem chuva, também o céu não vai ser o que eu pretendo, não vai
haver a canção que cantaríamos juntos.
Pensando bem, acho que o dia não vai ter a menor graça
pra mim, mas mesmo assim espero que o seu dia seja bom, desde que você pense
que pode receber flores, receber um telefonema logo cedo, que o céu possa ficar
menos cinza, talvez você se pegue cantando alguma música e ria por isto. Quem
sabe você esteja à beira de ser raptada, quem sabe, eu esteja mais perto do que
você pensa, do outro lado da rua, tomando um café, talvez eu esteja carregando
um guarda-chuva quem sabe, eu esteja carregando uma grande ilusão que nem tenho
palavras para descrever. Quem sabe estejamos à beira de nos apaixonarmos. Nunca
se sabe. Se eu pudesse trocar todas estas palavras que escrevi até agora por
outras eu não as trocaria, as deixaria aqui ainda que nem as remetesse a você,
ainda que você nunca as supusesse, mas palavras só existem quando são lidas,
portanto, não tenho o direito de apagá-las, já que as escrevi.
Ah, só uma coisa antes de eu dormir. Não esqueça de amanhã
levar consigo um guarda-chuva. Vai que chove, que alguém rapte você, que falte
luz, quem sabe, eu esteja no meio da rua todo molhado com um buquê de rosas na
mão olhando pra você e você, sem saber o porquê esteja cantando uma música e me
diga displicentemente:“bom dia moço!” Sei lá... Nunca se sabe...
São Paulo, 27/10/09
Nenhum comentário:
Postar um comentário