Não sei o que é mais difícil: Viver ou desviver. Deslembrar,
desencantar-se, desarmar-se desamar, des-esperar que uma pessoa volte ou se
descrer nas coisas é desviver. Não há dicionário que suporte esta palavra. Não consta
em nenhum auto. Só é permitido este sentimento a quem desvive um sonho, a quem
descarta um regresso, descrê em sua própria crença, é assim que se desvive. Não
é fácil descartar uma pessoa da sua vida, tampouco des-haver-se, às vezes, de
uma coisa, um presente que lhe foi dado e que você mantinha bem à sua frente na
estante da sala sem nunca ter aberto e que agora não faz mais sentido abri-lo. Desencarnar,
desapropriar-se de algo ou de alguém, de si mesmo. São tantos desses “dês” que
não preciso sequer de uma página para explicar isto. É como desescrever. Sendo assim, desescrevo
tudo o que comecei a pensar e que tentei, sem sucesso, colocar nesta página.
Des-penso, logo, inexisto. Sou apenas um despensamento que sequer paira no ar.
20/12/10
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