sábado, 2 de julho de 2016

Dia dos pais

 Dizem que amanhã será dia dos pais; quando os filhos têm obrigação de comprar um presente para eles, bobagem. Não preciso que minhas filhas liguem para mim, em vários sentidos. Ligar por intermédio do telefone, nem ligar pelo fato de terem cuidado em relação a mim. Não precisam ligar até porque eu não ligo para isso. Adoro quando minhas filhas me ligam em um dia qualquer de um mês qualquer para dizerem a mim que me amam, ou para pedirem a bênção porque vão viajar. Aí é dia dos pais.
Acho que minhas filhas não irão escrever nada para mim amanhã, daí vem a graça de eu escrever para elas hoje. Não se trata de ausência, mas de estar por perto, mesmo quando longe. Trata-se de rezar sem precisar ser rezado, de olhar de bem perto enquanto elas estavam aprendendo a andar de bicicleta e eu sabendo que elas iriam cair. O tombo faz parte do andar de bicicleta e faz parte do pai levantar a bicicleta e deixar a filha se arriscar de novo. Isso faz o orgulho do pai que olha de longe, sentado no banco da praça vendo-a aprender a fazer primeira curva sozinha e depois fazer a mesma coisa com uma mão só. Depois tudo o que sua filha lhe pede é um sorvete para ser lambido, sequer lembrando que o joelho está todo esbagaçado.
Amanhã será dia dos pais, estou feliz. Acho que ninguém irá ligar pra mim, ligar pelo telefone ou ligar no sentido de se importar comigo. Não tem problema.

Amanhã vou andar de bicicleta, segurando o guidão com só uma mão e com a outra irei acenar sozinho para o céu agradecendo a Deus por eu ter podido saborear um sorvete com elas quando elas aprendiam a andar de bicicleta e eu aprendia a ser pai. Depois será segunda-feira. Não será mais dia dos pais... Será que não será?

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